HIV do Sul preocupa cientistas
EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo
Um vírus HIV sulista, que existe desde 1992, é um dos que mais preocupam os epidemiologistas hoje. Levantamento inédito feito por um grupo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que também fez estimativas novas sobre quando os diversos tipos de HIV entraram no Brasil, mostra que o potencial de espalhamento do HIV da região Sul é grande.
"No caso de projetar o futuro próximo, sem dúvida, o acompanhamento epidemiológico deve ser maior sobre o subtipo CB [mistura dos tipos C e B]", disse à Folha o pesquisador Ricardo Diaz, um dos responsáveis pelos estudos sobre o HIV. "Esse vírus está restrito à região Sul, principalmente a Porto Alegre", explica.
O trabalho da equipe mostra, por estimativas, o ano em que todos os três tipos do vírus da Aids existentes hoje no Brasil (B, F e C), só da família HIV-1, começaram a infectar pessoas. Isso ajuda a entender a doença, muito longe do controle e bastante distante de uma vacina.
O fato de o HIV ser muito recombinante (seus vários subtipos trocam pedaços de material genético entre si) é o que mais dificulta a descoberta de uma imunização.
A metodologia de Élcio Leal, também da Unifesp, é mais uma ferramenta que mostra os primeiros passos do HIV na América do Sul.
"O primeiro subtipo que chegou ao Brasil foi o B, nos anos 1950", diz o pesquisador. "As novas estimativas foram feitas com dados obtidos entre 1989 e 2002."
Depois disso, vieram os tipos F e o C. Respectivamente em 1970 e 1990 aproximadamente, segundo o estudo.
Mas a situação é bem mais complexa. No Sudeste, dois grupos diferentes de uma mistura entre os tipos B e F estão com uma alta capacidade epidemiológica também. "Eles são recentes, dos anos 1990 e também bem agressivos", explica Leal.
Um dos temores que existe agora é que esses dois grupos mais localizados em São Paulo e no Rio de Janeiro se misturem ao tipo CB, que está restrito, ainda, ao Sul.
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