Ciência
16/10/2007 - 08h02

Alternativas para o uso de animais são restritas

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FELIPE MAIA
da Folha Online

Nos últimos anos tem crescido a pesquisa por métodos alternativos que possam substituir o uso de animais na ciência. Apesar de ainda se mostrar restrito, esse tipo de ferramenta pode fazer com que o número de cobaias utilizado seja reduzido, pelo menos nas fases iniciais dos estudos.

Entre os principais substitutos dos animais está o desenvolvimento de pesquisas in vitro. Nesse experimento, o cientista utiliza apenas partes do animal, que podem ser células, tecidos ou órgãos de bichos já mortos.

No que se refere às experiências para ensino, feitas durante as aulas, os animais já foram substituídos em 90% dos procedimentos, de acordo com a médica veterinária Ekaterina Akinozna, que integra um grupo de trabalho da OIE (Organização Internacional de Saúde Animal) sobre bem-estar desses bichos.

AP
Experiências com células são alternativas para o uso de animais, como ratos, em laboratório
Experiências com células são alternativas para o uso de animais, como ratos, em laboratório

Limitação

O problema apontado pelos cientistas é que esses métodos não conseguem reproduzir completamente o complexo funcionamento do organismo humano.

"É possível diminuir a quantidade de animais utilizados, mas esse número não vai chegar a zero. É difícil imaginar um sistema que recrie, mimetize a vida. Isso não vai acontecer", aponta Regina P. Markus, presidente da SBFTE (Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental).

Outro empecilho é o fato de a realização de testes em animais ser obrigatória para que certos produtos possam ser disponibilizados para a população.

Por isso, Ekaterina não acredita que a comunidade científica possa utilizar apenas métodos alternativos em um futuro próximo. Na visão da pesquisadora, diminuir o número de animais utilizados já é uma saída vantajosa.

Isso se tornou possível graças à criação, em laboratório, de bichos com melhores condições físicas. Em geral, eles são produzidos especificamente para uso científico.

"Hoje é possível saber qual é o status genético e sanitário desse animal. Se antes eu precisava de 50 (cobaias), agora eu preciso de cinco, porque muitos morriam porque já tinham alguma doença", explica ela.

 

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