Movimento contra obesidade deve se inspirar no antitabagismo, diz especialista
da France Presse, em Nova Orleans (EUA)
A luta contra a epidemia de obesidade que afeta ou ameaça 200 milhões de pessoas nos Estados Unidos deve se inspirar no combate ao tabagismo, comentou um especialista em uma conferência em Nova Orleans, nos Estados Unidos.
"O que funcionou com o tabaco foi uma estratégia múltipla que impôs impostos sobre os maços de cigarros, proibiu aos menores o acesso ao tabaco, baniu o fumo dos lugares públicos", defendeu William Dietz, diretor de prevenção do CDC (Centro Federal de Controle de Doenças).
"Não será uma ação isolada que fará a diferença, mas várias ao mesmo tempo", acrescentou o estudioso. Ele destacou "o começo de uma mudança" em muitos dos estudos de caso apresentados na Conferência Anual de Pesquisa sobre a Obesidade, organizada pela Obesity Society, uma associação de cientistas americanos criada há 25 anos para estudar o fenômeno.
Essa estratégia "levou 40 anos para mudar o tabagismo", enquanto as mudanças em matéria de obesidade já começam a aparecer, afirmou Dietz.
Modelos
Algumas estratégias locais, como a do Arkansas, parecem estar dando frutos. Nas escolas públicas daquele Estado, foi divulgada uma campanha que conjuga a proibição da "junk food" com a prática de esportes e com a sistemática medição do peso dos alunos, número que é enviado todos os anos para os pais.
A presença de obesos entre os alunos de Arkansas se estabilizou e até caiu, passando de 20,9%, em 2005, para 20,6%, em 2007.
"A mensagem dirigida à opinião pública marcará a diferença na luta contra a obesidade", avaliou Eric Ravussin, professor do Centro de Pesquisa sobre esse fenômeno do Pennington Center e presidente da Obesity Society este ano.
"O grande desafio é a prevenção. Um dólar de prevenção evita outros gastos mais adiante", explicou, acrescentando que "também se deve dedicar mais trabalho à pesquisa da obesidade para definir as estratégias mais econômicas de prevenção".
Parâmetros
Ravussin lamenta que, para a investigação nos EUA, o Instituto Nacional de Saúde tenha destinado apenas US$ 7,3 (cerca de R$ 13) de pesquisa por cada pessoa obesa no país, contra US$ 35 (R$ 62) por cada paciente tratado por uma doença cardiovascular.
"O governo gasta em pesquisa o equivalente a um Big Mac, uma Coca Cola e uma porção de batatas fritas para cada obeso", ironizou o pesquisador.
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