Ciência
25/10/2007 - 20h45

Informações sobre vacina anti-HIV estão em estudo, diz especialista

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FELIPE MAIA
da Folha Online

A possibilidade de a vacina contra a Aids produzida pela Merck aumentar a vulnerabilidade dos voluntários ao vírus não pode ser descartada, já que os dados dos testes ainda estão em análise. Entretanto, a hipótese de o medicamento poder infectar as pessoas é completamente descabida. Essa é a análise do médico infectologista Esper Kallas, um dos coordenadores dos testes no país.

O jornal norte-americano "The Washington Post" informou hoje que voluntários que tomaram a vacina na África do Sul estavam sendo avisados de que podem ter se tornado mais suscetíveis ao vírus em razão do experimento.

Em entrevista à Folha Online, Kallas disse essa possibilidade foi detectada em setembro, quando foram divulgados os primeiros resultados dos testes, que revelaram a ineficiência da vacina.

Segundo dados do National Institutes of Health (Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos), dos 672 voluntários que tomaram pelo menos duas doses da vacina, 19 contraíram o vírus da Aids. Já entre os 691 voluntários que receberam as doses placebo, 11 contraíram o HIV.

Esses dados referem-se apenas ao continente americano, onde 3.000 participaram do estudo.

Apenas tendência

Kallas reconhece que essa diferença tem de ser analisada, mas afirma que a variação é muito pequena e está dentro da margem de erro. "Pela estatística, podemos dizer que há uma tendência a ter diferença e não uma diferença verdadeira", afirma o médico, que é coordenador do Centro de Pesquisas de Vacinas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)

"Mas não podemos negar a existência de qualquer dado. Ciência é pegar os dados e interpretar tudo", diz ele.

Cuidado

De acordo com o médico, os 125 voluntários que participaram do estudo no Brasil foram avisados imediatamente, ainda em setembro. Eles foram aconselhados a redobrar os cuidados preventivos contra a Aids. "Assim como toda a população deve fazer", diz.

Segundo ele, os participantes continuam sob análise e "rigoroso aconselhamento".

Entre os voluntários brasileiros, não houve casos de contaminação, seja entre os que tomaram a vacina verdadeira ou o placebo.

Análise

O cientista ressalta que a análise das informações ainda está em fase inicial e que novas informações podem ser divulgadas em novembro, quando os responsáveis pelos testes farão uma reunião em Seatle, nos Estados Unidos, para discutir os dados.

Ele ressalta, entretanto, que não há a menor hipótese de a vacina ter infectado os voluntários. Isso porque as doses são feitas apenas de fragmentos do vírus, incapazes de transmitir a doença.

 

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