Ciência
11/11/2007 - 15h43

Hospital sul-africano isola tuberculosos para evitar contágio

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da Folha Online

Em um hospital da África do Sul, por trás de cercas de arame farpado patrulhadas por seguranças, para evitar fugas, um prédio usado há mais de um século para o tratamento de vítimas de varíola recebe pacientes com uma das doenças de cura mais difícil: a tuberculose super-resistente aos remédios.

A quarentena forçada, no Hospital Brooklyn Chest, é muito controversa. Críticos dizem ser uma violação da ética médica e dos direitos humanos. Autoridades sanitárias --que este ano apelaram à Justiça para a manutenção de quatro pacientes no hospital-- afirmam não ter escolha.

Segundo Simon Moeti, superintendente médico do hospital, existem pessoas recusando o tratamento e outros que tentam a fuga.

Moeti e outros profissionais de saúde acreditam não ser suficiente a existência de instituições como a Brooklyn em um continente como a África, com sérios problemas de proliferação da AIDS e casos de tuberculose, incluindo bactérias multirresistentes a drogas e a versão ainda mais perigosa, o tipo extensivamente resistente a medicamentos.

Epidemia

A África do Sul registrou 343 mil casos de tuberculose em 2006, dos quais se estima que 6.000 sejam resistentes à múltiplos remédios.

O governo informa que cerca de 400 eram casos de tuberculose extremamente resistente, entretanto grupos como Médicos Sem Fronteiras acreditam que esta estimativa está muito aquém da realidade.

Os métodos utilizados para teste são muito lentos e estão desatualizados --é particularmente difícil diagnosticar a tuberculose em indivíduos HIV positivo. Aproximadamente 60% das vítimas de tuberculose têm o vírus da Aids.

Contágio

Além disso, grande parte dos afetados pela tuberculose resistente a remédios morre antes da realização de testes e diagnóstico da doença --podendo, assim, infectar outras pessoas neste período.

Responsáveis pelo Hospital Brooklyn relutaram na construção da cerca ao redor da unidade de tratamento de pacientes do tipo extremamente resistente, mas cederam após quatro fugas. Qualquer paciente que queira ir a outra ala do hospital tem de ser acompanhado. Visitas familiares são estritamente controladas.

"Estamos lidando com pessoas deprimidas. Os pacientes sentem como se estivessem na prisão, mas esta é a única maneira", declarou a irmã-enfermeira Joan Blackburn.

Moeti espera que o caso de Andrew Speaker, americano diagnosticado com tuberculose resistente a remédios que causou pânico na comunidade sanitária internacional por ter voado para e a partir da Europa, aumente a consciência sobre o problema enfrentado pela África do Sul e outros países afetados.

Com informações da associated Press

 

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