Ciência
23/11/2007 - 21h05

Congresso médico discute distúrbio do sono relacionado à internet

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da Folha Online

Encontro da APM (Associação Paulista de Medicina) que começou nesta sexta-feira (23) e vai até amanhã discute distúrbios do sono na atualidade.

Entre os trabalhos que devem ser apresentados neste sábado, está uma pesquisa da Unicamp que aponta a utilização da internet como responsável pela má qualidade do sono em adolescentes.

A pesquisa, de autoria da psicóloga Gema Galgani de Mesquita Duarte, entrevistou 160 estudantes entre 16 e 18 anos da cidade mineira de Alfenas.

O estudo concluiu que 65% dos adolescentes utilizam a internet durante a noite, causando sonolência diurna e prejudicando a qualidade do sono.

Entre os internautas noturnos, 75,96% acessam a rede em dias de semana entre 18h e 6h e 90,38% nos fins de semana das 17h às 3h.

"Usar a internet a noite é semelhante ao trabalho noturno, pois além de exigir atenção de quem está acessando, a luz da tela retarda a produção de melatonina", explica a psicóloga.

O estudo, que foi orientado pelo médico Rubens Reimão, coordenador do encontro da APM, indica que todos os adolescentes que acessam a web durante a noite têm distúrbios de sono, enquanto metade do grupo que não utiliza a internet à noite têm má qualidade de sono.

Utilizando o indicador internacional IQSP (Indicador de Qualidade de Sono Pittsburgh), a pesquisa indicou que a maioria dos adolescentes que utilizam o PC durante a noite possuíam índices em torno de sete. "O índice é composto de 19 itens, formando uma pontuação de qualidade de sono. Até quatro pontos, o sono é considerado normal", diz Duarte.

Abuso

Apesar da relação com a utilização da internet, a pesquisadora explica que qualquer atividade desenvolvida durante o período noturno pode afetar a qualidade do sono. "O abuso na utilização da internet é prejudicial como qualquer outro abuso."

Porém, a pesquisadora aponta agravantes com relação ao hábito de acessar a internet com, por exemplo, ver TV durante a noite. "Ao assistir televisão a pessoa adota uma postura passiva, enquanto a internet é interativa, requer atividade constante", compara.

Universitários

Em novo projeto, a intenção da pesquisadora é avaliar em sua tese de doutorado o impacto do hábito noturno da utilização da internet entre o público universitário, com faixa etária entre 18 a 25 anos. "Mas desta vez irei pesquisar, além do uso do computador, os hábitos de vida dos universitários".

Durante o congresso também será abordado temas como insônia, o sono fragmentado das crianças autistas, narcolepsia e bruxismo, entre outros.

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