Ciência
09/12/2007 - 02h24

"Clonar seres humanos continua sendo uma loucura", afirma Nobel

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da Efe, em Estocolmo

Oliver Smithies, o geneticista que receberá nesta segunda-feira (10) o Nobel de Medicina por seu estudo da recombinação genética em ratos, explicou à Efe que "não só por uma questão moral, mas pela atual incapacidade técnica, continua sendo uma loucura clonar seres humanos".

Smithies foi agraciado, junto ao ítalo-americano Mario Capecchi e o britânico Martin Evans, devido a um estudo em que conseguiram "construir os modelos animais de doenças sanguíneas como a anemia e a arteriosclerose".

A grande conquista dos pesquisadores foi extrair e inativar o gene de um rato e, depois, escolher o gene exato antes de intervir, que é o que "marca a diferença" e permite "observar claramente o que ocorre com o animal".

Martin Evans encontrou o meio necessário para criar estes animais modificados geneticamente nas células-tronco embrionárias e mostrou seu trabalho a Smithies.

Desta forma, e graças ao trabalho que ele mesmo e Capecchi tinham realizado nos anos 80, iniciou-se o caminho para o sucesso da pesquisa.

"Desde o início sabia que, se conseguíssemos realizar com sucesso estes estudos, seria algo muito importante", afirmou.

"Por enquanto, esta descoberta não é útil para os humanos", reconhece, enquanto concentra seus esforços neste objetivo, que pode ser alcançado em "10 ou 20 anos, ou talvez em dois, nunca se sabe".

Se a nova pesquisa tiver sucesso, ela ajudará a reduzir riscos como os da rejeição aos órgãos transplantados.

Nascido em 1925, o cientista considera que, após o prêmio ser dado em 2006 também a geneticistas, este campo científico é "muito importante na Medicina atual".

Smithies, nascido no Reino Unido, naturalizou-se americano e revelou hoje que parte da percentagem a que terá direito dos dez milhões de coroas suecas do prêmio (US$ 1,55 milhão) será destinada a "algumas das universidades" nas quais trabalhou.

 

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