Ciência
10/12/2007 - 11h00

Prefeito se omite e Florianópolis proíbe estudo com cobaias

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GIOVANA GIRARDI
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Por uma omissão do prefeito Dário Berger (PMDB), Florianópolis acaba de ser tornar a primeira cidade brasileira a proibir o uso de animais em pesquisas científicas. Na sexta-feira, a Câmara Municipal promulgou silenciosamente o projeto de lei que regulamenta o assunto após ter expirado o prazo de apreciação de Berger.

Pela lei orgânica da cidade, o prefeito tem 15 dias úteis para vetar ou sancionar um projeto aprovado pela Câmara. Se ele não se manifesta, entende-se que ele está de acordo.

Segundo o secretário de Comunicação da cidade, Paulo Roberto Arenhart, ao receber o projeto, Berger considerou que não tinha "juízo de valor" sobre a matéria e pediu o parecer do secretário de Saúde e da Procuradoria Geral do Município. "Eles não chegaram a tempo e perdemos o prazo. Aconteceu."

O projeto do vereador Deglaber Goulart (PMDB), líder do governo na Câmara, fora aprovado na Casa em 6 de novembro e encaminhado no dia seguinte à prefeitura. Procurado pela Folha na sexta, Goulart omitira a promulgação. Ontem, só disse: "O prefeito não vetou porque a lei é importante".

A lei passa a valer assim que for publicada no Diário Oficial, o que está previsto para ocorrer ainda nesta semana.

Pesquisadores que já estavam atentos para o problema reclamam que houve desleixo por parte do prefeito. "Na terça [4], a Fesbe [Federação das Sociedades de Biologia Experimental] entregou uma carta alertando-o para o prejuízo que essa lei poderia trazer para a pesquisa em SC. Ele estava ciente", afirma Marcel Frajblat, presidente do Colégio Brasileiro de Experimentação Animal, órgão ligado à Fesbe.

Os principais afetados pela decisão devem ser os pesquisadores da UFSC. A instituição tem um biotério na cidade usado em testes de novas drogas. Os cientistas esperam que a lei seja anulada e já consultam juristas sobre a possibilidade. Para Antônio Diomário de Queiroz, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de SC, ela é inconstitucional.

O jurista Paulo Brossard, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, explica que de fato é possível que a lei sucumba a uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade). "Tenho dúvidas se o município pode fazer isso, porque em princípio sua competência legislativa deve ser sobre o que diz respeito a seu peculiar interesse", disse. "Isso [a pesquisa científica], na verdade, é de interesse até universal", complementou.

Frajblat espera que o imbróglio possa, ao menos, ajudar a pressionar os deputados federais a votarem a Lei Arouca, que regulamenta as pesquisas com animais no país. "Enquanto existir esse vácuo federal haverá espaço para esses absurdos", diz. "A sociedade ainda não percebe a importância e os benefícios desse trabalho."

Comentários dos leitores
Gilberto Cunha (4) 21/05/2008 01h51
Gilberto Cunha (4) 21/05/2008 01h51
PORTO ALEGRE / RS
A indústria farmaceutica, de fato, é o lobby mais forte entre todos os segmentos da indústria em escala mundial. Globalmente, gasta quase 10 vezes mais em pesquisa de fúteis cosméticos do que no desenvolvimento dos medicamentos. Além disso, com freqüencia, argumenta que precisa reaver investimentos em pesquisa, os quais, na verdade, já foram integralmente financiados por órgãos governamentais em seus países de origem. Mas o problema da utilização de cobaias vai mais longe. Atinge a própria cultura das ciências biológicas e derivadas, como a Medicina. Essas áreas sempre foram extremamente "tentadas" pela facilidade da utilização de seres vivos, basicamente, indefesos quanto 'a sua vontade, em detrimento da procura de explicações calcadas nas ciencias subjacentes, em especial, a Bioquímica. Isto explica, entre outras coisas, a precariedade do desenvolvimento das ciencias biológicas e suas derivadas na comparação, por exemplo, com a Engenharia, que sempre impõe, em primeiro lugar, o entendimento dos fenomenos naturais 'a luz dos conhecimentos das ciencias subjacentes - em especial, a Física e a Química. São concepções metodológicas muito diversas, que conduziram a um grande distanciamento no estágio de desenvolvimento científico e tecnológico dessas grandes áreas do conhecimento. Infelizmente, a maioria dos cientistas que atua no ramo das ciencias biológicas herda esta carga histórica e não consegue visualizar outras maneiras de conduzir a sua pesquisa... 6 opiniões
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Oswaldo Gomes de Oliveira (1) 06/03/2008 16h49
Oswaldo Gomes de Oliveira (1) 06/03/2008 16h49
NITEROI / RJ
Será que o ex-procurador geral da república e a igreja, defensores da vida, vão querer arranjar barrigas de aluguel e "adotar" os rejeitados embriões congelados cujo destino é o lixo? Quando da destruição desses "seres humanos", tem havido alguma missa de "corpo" presente?

E para onde irão tais "almas", se nem limbo existe mais, cuja "existência" foi "extinta" pelo papa Bento 16?

Amará Deus algumas dessas "almas', como fez com Jacó, e odiará outras, como fez com seu irmão gêmeo Esaú, antes que fizessem bem ou mal? (Assim relata o apóstolo Paulo em sua carta
Aos Romanos, cap. 9:
"11(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal (...) 13Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú."
Os que fecham os olhos para a destruição de famílias e de pessoas que sofrem abuso sexual merecem as palavras do evangelho:
"Guias cegos! que coais um mosquito, e engolis um camelo."?
(Mateus 23:24)
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Helder Matos (2) 28/01/2008 11h20
Helder Matos (2) 28/01/2008 11h20
PETROLINA / PE
Bioprocessadores podem substituir animais em testes de laboratórios (17/01/2008)
Graças à tecnologia, os cientistas podem parar de usar animais em testes de laboratório para desenvolver cosméticos ou remédios. Pesquisadores do Instituto Politécnico da Universidade de Berkeley, na Califórnia,em parceria com uma empresa da área de biotecnologia, criaram dois bioprocessadores (DataChip e MetaChip) que mostram o efeito das toxinas nas células humanas e como as toxinas são alteradas quando metabolizadas pelo corpo.
O DataChip é um biochip com mais de 1.080 culturas de células humanas; uma estrutura tridimensional que organiza as células da mesma forma como elas são arranjadas nos órgãos do corpo humano. O DataChip mostra a ação da toxina em diferentes tipos de células humanas, enquanto o MetaChip imita a reação da toxina metabolizada no fígado. Como uma toxina pode ser tóxica para uma pessoa e boa para outra, no futuro, os cientistas poderão desenvolver drogas personalizadas, usando biotecnologias modernas.
Segundo os pesquisadores, os bioprocessadores são uma alternativa barata, rápida e segura para realizar os testes químicos sem usar animais.
Fonte: Revista Informática Hoje – SP - 10/01/2008
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