Ciência
25/01/2008 - 12h25

Há 50 anos, Brasil inaugurava primeiro reator nuclear da América Latina

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FELIPE MAIA
da Folha Online

Esta sexta-feira (25) marca os 50 anos de um importante avanço científico para o Brasil. Em 25 de janeiro de 1958 o então presidente Juscelino Kubitschek inaugurava oficialmente o primeiro reator nuclear do país --e também da América Latina.

O complexo, que recebeu o nome de IEA-R1, estava em operação desde 16 de setembro do ano anterior. Foi construído com a ajuda do governo norte-americano, dentro do programa Atoms for Peace (algo como Átomos Pela Paz), que estimulava países a aderirem à tecnologia nuclear.

Divulgação/CRPq
Cápsulas de alumínio contendo as amostras de material a ser irradiado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares
Cápsulas de alumínio contendo as amostras de material a ser irradiado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares

O IEA-R1 foi instalado no Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), que na época se chamava IEA (Instituto de Energia Atômica). Fica localizado no campus da USP (Universidade de São Paulo), na zona oeste de São Paulo.

Ao contrário de usinas de energia nuclear, como as de Angra, desde que foi inaugurado o reator não tem o objetivo de gerar energia. Seu maquinário é utilizado para pesquisas na área de radioatividade e para a fabricação de produtos médicos, por exemplo.

O reator, que foi projetado e construído pela empresa norte-americana Babcock & Wilcox, funciona como "uma bomba controlada", de forma a gerar sobre certos materiais os efeitos radioativos. O dispositivo permite controlar o processo de fissão nuclear ("quebra" de átomos de urânio).

Divulgação/CRPq
Piscina do reator, que ainda hoje está em pleno funcionamento para produção elementos químicos radioativos empregados na medicina
Piscina do reator, que ainda hoje está em pleno funcionamento para produção elementos químicos radioativos empregados na medicina

Pleno funcionamento

Ainda hoje está em pleno funcionamento para produção, por exemplo, de radioisótopos (elementos químicos radioativos) empregados na medicina. Alguns tipos de exames --com o que detecta problemas na tireóide-- e tratamentos como o do câncer utilizam esses elementos. Também há aplicações na indústria e na agricultura.

Alguns desses produtos fabricados pelo Ipen no IEA-R1 são inclusive exportados.

No reator também são feitos testes de comportamento de materiais e pesquisas científicas, além de treinamento de pessoal. Trata-se de um instrumento importante para a pesquisa científica no país. A partir de sua inauguração, os cientistas brasileiros puderam analisar, na prática, o funcionamento da tecnologia nuclear.

Nos primeiros 40 anos de operação, o IEA-R1 trabalhava com uma potência máxima de 2 MW, oito horas por dia, cinco dias por semana. Entretanto, dada a crescente demanda por radioisótopos, em 1997 o equipamento teve sua potência máxima alterada para 5 MW.

 

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