ONU e OMS reafirmam o uso de preservativos para prevenção da Aids
da Efe, em Genebra
A OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Unaids (Programa das Nações Unidas sobre Aids) mantêm suas recomendações sobre a prevenção ao vírus HIV, apesar de recentes estudos terem mostrado que, supostamente, tratamentos com medicamentos anti-retrovirais podem evitar a transmissão nas relações sexuais.
Na quarta-feira (30), a Comissão Federal Suíça para os Problemas Relacionados à Aids anunciou que, sob determinadas condições estritas, as pessoas que se beneficiam de um tratamento anti-retroviral eficaz não contaminam seus companheiros durante relações sexuais.
A comissão se baseou em um estudo aplicado a 393 casais heterossexuais, nos quais um dos membros é portador do vírus e está sob tratamento anti-retroviral. Durante a pesquisa, pôde ser constatado que nenhum dos infectados contagiou seu companheiro.
"São necessárias mais pesquisas. Embora o risco tenha sido reduzido significativamente, não está demonstrado que o desaparecimento do vírus no sangue elimina completamente o risco de transmissão", afirma um comunicado conjunto da OMS e da Unaids.
"Não mudaremos nossas recomendações", afirmou a porta-voz da OMS, Fadela Chaib. "Como não há 100% de certeza de que o sistema funcione, nós seguimos recomendando a utilização do preservativo como o melhor método para evitar a transmissão", acrescentou.
Cautela
Segundo Chaïb, "a OMS não pode se arriscar a transmitir a mensagem de que a doença já não é perigosa". "Além disso, na maioria dos países em desenvolvimento, nos quais a doença é mais propagada, não se conta com as medidas necessárias para controlar eficazmente os doentes e, por isso, esse sistema não seria eficaz", afirmou.
A constatação do comitê suíço também foi rejeitada pela Comissão Européia --braço executivo da UE (União Européia). Markos Kyprianou, porta-voz do comissário de Saúde europeu, afirmou que o bloco vai seguir mantendo seus critérios de recomendação de manter sempre relações sexuais com proteção quando um dos membros for portador do vírus.
O Conselho Nacional de Aids da França também rejeitou o estudo suíço, afirmando que "os resultados ainda são preliminares".
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