Saúde de astronauta faz Nasa adiar caminhada espacial
da Folha Online
O astronauta alemão Hans Schlegel, um dos sete tripulantes do ônibus espacial americano Atlantis, está doente e não poderá participar da primeira saída orbital, que teve de ser adiada por 24 horas, para segunda-feira, informou um funcionário da Nasa (agência espacial norte-americana).
Neste sábado (9), o Atlantis se acoplou com sucesso à ISS (Estação Espacial Internacional), levando o laboratório europeu Columbus --avaliado em US$ 1,9 bilhão e considerado a maior contribuição européia à estação.
O diretor da missão, John Shannon, disse aos jornalistas, sem dar muitos detalhes, que Schlegel não estava bem e que, em seu lugar, sairá o astronauta americano Stanley Love.
"É algo privado", afirmou Shannon. "Sua vida não está em perigo", completou, destacando que o incidente "não terá qualquer impacto nos objetivos da missão" e que, oficialmente, Schlegel ainda participará, como previsto, da segunda saída espacial, agora adiada para quarta-feira.
A primeira saída da missão de 11 dias seria, inicialmente, no domingo, para a instalação do Columbus na ISS. Agora, deve acontecer nesta segunda.
O diretor de vôo da nave, Mike Sarafin, declarou que a missão está trabalhando "em dois assuntos técnicos, um com uma falha no computador". "O outro assunto é um pequeno arranhão no escudo térmico" do ônibus espacial, completou.
Acoplamento
O encontro das duas naves a quase 400 quilômetros da superfície terrestre aconteceu sem problemas às 15h17, horário de Brasília, informou o controle da missão no centro espacial Kennedy, na Flórida.
Imediatamente após o acoplamento, os sete astronautas da missão STS-122 da nave realizaram uma série de provas de pressão antes de abrir as portas para se encontrar com os ocupantes da ISS.
Antes do acoplamento, a comandante da ISS, Peggy Whitson, e a tripulação fotografaram a parte inferior do escudo térmico que protege a nave para se certificar de que uma pequena rachadura que foi detectada não representa ameaça. As imagens obtidas serão analisadas pelos engenheiros da Nasa em Houston.
Os astronautas da Atlantis avistaram a estação quando estavam a cerca de 64 quilômetros de distância. "É muito brilhante", afirmou Stephen Frick, comandante da nave.
"Não sabemos se é por causa das velas do bolo de aniversário de Peggy", brincou Kevin Ford do centro de controle da missão em Houston, em referência ao 48º aniversário de Peggy Whitson, ocorrido neste sábado.
Whitson e o engenheiro russo Yuri Malenchenko estão há quatro meses na estação e permanecerão por mais dois em órbita antes de ser substituídos em abril.
O terceiro membro da ISS, Dan Tani, voltará à Terra no Atlantis. O astronauta francês Leopold Eyharts, que viaja na nave, ocupará seu lugar.
ISS
A Nasa tem 11 missões de abastecimento e construção pendentes para ser completadas pela ISS antes de retirar sua frota de naves em 2010.
A agência espacial afirmou que o Columbus será um importante centro de experimentos biológicos, físicos e materiais que ampliará a capacidade científica do complexo.
O Columbus será instalado do lado direito do módulo Harmony, sobre o eixo central da ISS e tem vida útil de 10 anos. O laboratório científico tem sete metros e pesa 10,3 toneladas em terra.
Seu corpo principal, assim como suas estruturas secundárias, foram fabricados com ligas de metais de alumínio e suas superfícies estão cobertas com várias camadas isolantes para manter a estabilidade térmica.
A isso se somam duas toneladas de painéis, também construídos com ligas de metais de alumínio, às quais se juntam camadas de Kevlar e Nextel para proteger o laboratório dos escombros cósmicos --Kevlar é uma fibra de vidro ultra-resistente a impactos e Nextel é um poderoso isolante de cerâmica.
Uma importante característica do Columbus é que seus sistemas podem ser facilmente adaptáveis a todos os outros módulos que não sejam russos e abrigar outras instalações ou subsistemas experimentais.
Embora seja o menor laboratório da ISS, tem um volume e potência similares aos demais. A isso se acrescenta o fato de que viaja com uma carga de 2.500 quilos de instalações e equipamentos.
Essas instalações incluem o "Biolab", suporte para experimentos com microorganismos, cultivos de células e de tecidos, além de plantas e animais.
O Columbus também conta com o "Laboratório de Ciências de Fluidos" que poderia levar a melhorias na produção energética, eficiência de propulsão, assim como à observação de outros problemas ambientais.
Outras instalações importantes são os módulos dedicados a experimentos relativos à fisiologia humana que têm a ver com a perda óssea, a circulação sangüínea, a respiração e o comportamento orgânico e imunológico na falta de gravidade do espaço.
Com Efe e France Presse
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