Ciência
13/02/2008 - 17h50

Pesquisadores descobrem fóssil de morcego "surdo"

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da France Presse, em Paris

Os restos fósseis quase completos do morcego mais antigo do mundo descoberto até agora, de 52 milhões de anos, revelaram que esses animais não tinham o sonar que caracteriza as espécies atuais. A informação é de artigo publicado na revista "Nature" desta semana.

Esse mamífero voador foi encontrado por uma equipe científica dos Estados Unidos e do Canadá nas capas geológicas de Green River, no Estado norte-americano de Wyoming.

Apesar de a anatomia dos esqueletos encontrados mostrar que esse morcego primitivo, que recebeu o nome científico Onychonycteris finneyi, era capaz de voar às cegas, como seus descendentes fazem atualmente, a morfologia de sua orelha interna indica que não podia contar com a ecolocalização.

Todos os morcegos insetívoros atuais recorrem a essa técnica que consiste em emitir e captar ultra-sons para evitar obstáculos e localizar suas presas, algo vital para esses mamíferos noturnos.

Em contrapartida, o fóssil estudado, ao não dispor dessa espécie de radar, "devia usar a visão para poder encontrar alimentos ou não poderia se alimentar à noite; a não ser que estivesse dotado de outro modo de detecção de presas", explica um dos autores do estudo, o canadense Kevin Seymour.

Apesar de a pesquisa não responder a essa pergunta, põe fim a um debate iniciado nos anos 60 sobre a necessidade ou não da ecolocalização como condição prévia para a aparição do vôo nos mamíferos. O Onychonycteris finneyi comprovou que as asas chegaram antes.

 

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