Ciência
18/02/2008 - 09h24

Combinação de calmantes aumenta efeitos colaterais

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MÁRCIO PINHO
da Folha de S.Paulo

Fala-se muito que os remédios consertam uma coisa, mas pioram outra. Esse risco de causar efeitos indesejados pode ser ainda maior com a interação medicamentosa, em que um remédio atua em conjunto com outro ou com alimentos.

Foi o caso recente do ator australiano Heath Ledger, encontrado morto em seu apartamento em Nova York. Segundo os médicos que analisaram o caso, "a morte foi acidental" em razão do abuso de pelos menos três calmantes e dois analgésicos prescritos.

Apesar de especialistas levantarem a hipótese de tentativa de suicídio, o caso é emblemático para mostrar o que a mistura continuada de remédios "prescritos" pode fazer.

Segundo Patrícia Medeiros de Souza, farmacóloga e professora da UnB (Universidade de Brasília), o uso de mais de um calmante pode potencializar sintomas como a sonolência e a depressão, por exemplo.

"Quem está viciado e começou tomando um calmante, passa a tomar dois por não fazer mais efeito. Depois acrescenta um terceiro. Não faz mais efeito, acrescenta um analgésico opióide. Isso é perigoso", diz.

Ela afirma que os médicos costumam receitar apenas um tipo de calmante. Caso passe a não fazer efeito, são recomendados tratamentos alternativos, como terapias.

Entretanto, há farmácias que vendem remédios tarja preta sem receita, o que é condenado por médicos. Para evitar efeitos da interação entre remédios, o primeiro passo é evitar a automedicação. É essencial também ler a bula e informar ao médico o que está tomando, mesmo que seja uma aspirina ou um produto natural.

Às vezes, uma segunda opinião médica também pode ser importante, já que há diversos relatos de pacientes que receberam receitas de especialistas em certas áreas, um cardiologista, por exemplo, que não consideraram os possíveis efeitos de combinações para outros aspectos da saúde.

Mas não só os calmantes podem trazer efeitos indesejados. Os antiácidos, por exemplo, podem diminuir o efeito de outros medicamentos, como os antibióticos. Por isso, recomenda-se que outros remédios sejam tomados antes ou mais de seis horas após o consumo do antiácido.
Os anticoncepcionais também podem ter seu efeito inibido com outras substâncias.

Já os remédios para dor de cabeça ou antiinflamatórios podem potencializar anticoagulantes, usados principalmente por quem tem problemas circulatórios. Em excesso, o anticoagulante pode causar hemorragias e hematomas.

Mas os perigos mais comuns à saúde estão na interação dos remédios com os alimentos, afirma Antonio Carlos Zanini, especialista em farmacologia do HC (Hospital das Clínicas) de São Paulo. O álcool, por exemplo, pode acentuar o efeito dos sedativos.

Por isso, segundo ele, um dos principais cuidados é saber se o medicamento deve ser consumido em jejum ou com alimentos.

Outra dica para evitar interações é sempre tomar remédios com água, substância usada nas pesquisas sobre segurança dos remédios. Deve-se evitar, portanto, sucos, refrigerantes e chá, que podem interagir.

 

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