Ginkgo biloba diminui risco de perda de memória, revela estudo
FELIPE MODENESE
Colaboração para a Folha Online
Idosos que tomaram o extrato de Ginkgo biloba tiveram menos chance de desenvolver problemas de memória e retardos cognitivos, de acordo com um estudo publicado na quarta-feira (27) na edição on-line da revista científica "Neurology". Apenas o grupo de usuários teve casos de derrame.
Produtos derivados das folhas da Ginkgo biloba têm sido usados amplamente como um suplemento para dietas e são anunciados como uma forma de "turbinar" a memória e retardar o envelhecimento.
A pesquisa procurou definir o efeitos do extrato sobre a memória de 118 idosos com mais de 85 anos. Metade deles recebeu diariamente os extratos da planta e a outra metade tomou placebo durante três anos e seis meses.
Durante o estudo, 21 pessoas desenvolveram dificuldades suaves de memória: 14 delas eram do grupo que recebeu o fitoterápico e sete idosos pertenciam ao grupo do placebo. Apesar de o resultado parecer favorecer os efeitos benéficos para a Ginkgo biloba, os cientistas afirmam que a diferença não é estatisticamente significante.
Os autores concluíram, para esta primeira etapa, que o extrato de Ginkgo biloba não alterou a chance de progressão das demências --doenças que provocam alterações na memória de curta e longa duração-- nem protegeu os idosos contra o declínio da capacidade de recordar.
Entretanto, quando os pesquisadores verificaram se as pessoas realmente tinham tomado as pílulas, eles encontraram que a chance de desenvolver problemas de memória no grupo daqueles que usaram Ginkgo biloba foi 68% menor do que no grupo dos que receberam placebo.
"Estes resultados devem ser esclarecidos com estudos mais amplos, mas são interessantes porque a Ginkgo biloba é amplamente usada, prontamente disponível e relativamente barata", declarou Hiroko Dodge, um dos autores do estudo, à agência Reuters.
Derrames
Os resultados do trabalho também mostram que o grupo de usuários do extrato teve maior incidência de derrames e miniderrames.
Sete das pessoas que tomavam Ginkgo biloba tiveram derrames durante o estudo, enquanto ninguém do grupo do placebo apresentou a complicação.
Os pesquisadores afirmam na publicação que as razões para isso não são claras e que o resultado precisa ser confirmado por outros estudos.
Os derrames foram causados por coágulos no sangue --que interrompem a irrigação do tecido afetado-- e não foram graves. Os autores citam relatos de complicações decorrentes de sangramento excessivo em usuários de Ginkgo biloba, o que não ocorreu no estudo.
"Mais estudos são necessários para definir se a Ginkgo biloba ajuda a prevenir os retardos cognitivos e se seu uso é seguro", disse Dodge.
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