Ciência
03/03/2008 - 18h50

Proibir pesquisas condena à desesperança, diz Herbert Vianna

REGIANE SOARES
da Folha Online

Na próxima quarta-feira, o STF (Supremo Tribunal Federal) vai decidir se o Brasil poderá ou não fazer pesquisas com células-tronco de embriões humanos. O julgamento, polêmico, divide cientistas de um lado e religiosos de outro; a dúvida é sobre onde começa a vida e termina o sofrimento de portadores de doenças graves.

O músico Herbert Vianna, 46, líder da banda Paralamas do Sucesso, diz não se lembrar de que o julgamento ocorreria nesta semana. Se em algum momento o discutiu, esqueceu. A falta de memória recente de Herbert é conseqüência do acidente aéreo que sofreu há sete anos, em fevereiro de 2001, que matou sua mulher, a jornalista inglesa Lucy Needham, e o deixou em uma cadeira de rodas.

Alexandre Campbell/Folha Imagem
Da esquerda para direita, os músicos Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone
Da esquerda para direita, os músicos Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone

Defensor das pesquisas com células-tronco embrionárias e convidado a comentar o assunto pela Folha Online, Herbert afirma que se o STF proibir as pesquisas, o Brasil condenará "à desesperança completa" pessoas que "batalham com uma dificuldade tão delicada".

Para o músico, não é "pecado transcendental" se as células-tronco forem usadas para o bem, para ajudar a vida de outras pessoas.

Herbert reconhece que a vida começa com a fecundação do óvulo, mas reage à declaração de católicos que dizem que o uso de células-tronco embrionárias é um crime contra a vida. Para o músico, a posição dos católicos é uma "hipocrisia rasteira".

"Desesperança"

"Eu gostaria de lembrar com a maior clareza possível pra eles [católicos] se é mais criminoso você condenar à desesperança e à não-perspectiva pessoas que estão batalhando com dor e com dificuldades, rastejando na sua existência", diz.

O que Herbert reclama é o fato de as pesquisas usarem somente células-tronco com embriões fertilizados in vitro e descartados há três anos e que tenha autorização do casal, conforme estabelece a Lei de Biossegurança, de 2005. A lei foi questionada em uma ação direta de inconstitucionalidade pelo ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles, que tem o apoio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

O músico explicou que "ainda" não faz nenhum tratamento a partir de pesquisas com "células-tronco" mas está "antenado" com as informações passadas por seus médicos e pelo seu pai, Hermano Vianna. E mesmo com a limitação da cadeira de rodas, Herbert aproveita sua exposição na mídia para defender as pesquisas, que podem resultar em novos tratamentos para dezenas de pacientes --inclusive ele mesmo.

Comentários dos leitores
MAC Castro (125) 09/10/2008 16h59
MAC Castro (125) 09/10/2008 16h59
SOU CATOLICO MAIS NÃO BURRO, VIVA A DESCOBERTA E QUE ASSIM MINIMIZE O SOFRIMENTO DAS PESSOAS (ESPERO QUE SEJAM OS MAIS NECESSITADOS AMPARADOS PELO GOVERNO) . 1 opinião
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Marcos Trajano (27) 01/10/2008 14h16
Marcos Trajano (27) 01/10/2008 14h16
Parabéns à USP, daqui a algum tempo teremos os frutos dessa pesquisa, para a decepção desse povo tapado que sempre se posicionou contra às pesquisas com células tronco. Até mesmos os tapados serão beneficiados. 12 opiniões
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José Costa (1) 01/10/2008 06h16
José Costa (1) 01/10/2008 06h16
A USP mostra a força da universidade brasileira. Li o livro "Admirável Mundo Novo" de Aldous Husley. Devemos ter limites para uso dessas pesquisas, mas sou a favor do uso de células-tronco na cura de doenças e da pequisa com embriões que seriam jogados fora! 5 opiniões
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