Proibir pesquisas condena à desesperança, diz Herbert Vianna
REGIANE SOARES
da Folha Online
Na próxima quarta-feira, o STF (Supremo Tribunal Federal) vai decidir se o Brasil poderá ou não fazer pesquisas com células-tronco de embriões humanos. O julgamento, polêmico, divide cientistas de um lado e religiosos de outro; a dúvida é sobre onde começa a vida e termina o sofrimento de portadores de doenças graves.
O músico Herbert Vianna, 46, líder da banda Paralamas do Sucesso, diz não se lembrar de que o julgamento ocorreria nesta semana. Se em algum momento o discutiu, esqueceu. A falta de memória recente de Herbert é conseqüência do acidente aéreo que sofreu há sete anos, em fevereiro de 2001, que matou sua mulher, a jornalista inglesa Lucy Needham, e o deixou em uma cadeira de rodas.
| Alexandre Campbell/Folha Imagem |
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| Da esquerda para direita, os músicos Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone |
Defensor das pesquisas com células-tronco embrionárias e convidado a comentar o assunto pela Folha Online, Herbert afirma que se o STF proibir as pesquisas, o Brasil condenará "à desesperança completa" pessoas que "batalham com uma dificuldade tão delicada".
Para o músico, não é "pecado transcendental" se as células-tronco forem usadas para o bem, para ajudar a vida de outras pessoas.
Herbert reconhece que a vida começa com a fecundação do óvulo, mas reage à declaração de católicos que dizem que o uso de células-tronco embrionárias é um crime contra a vida. Para o músico, a posição dos católicos é uma "hipocrisia rasteira".
"Desesperança"
"Eu gostaria de lembrar com a maior clareza possível pra eles [católicos] se é mais criminoso você condenar à desesperança e à não-perspectiva pessoas que estão batalhando com dor e com dificuldades, rastejando na sua existência", diz.
O que Herbert reclama é o fato de as pesquisas usarem somente células-tronco com embriões fertilizados in vitro e descartados há três anos e que tenha autorização do casal, conforme estabelece a Lei de Biossegurança, de 2005. A lei foi questionada em uma ação direta de inconstitucionalidade pelo ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles, que tem o apoio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
O músico explicou que "ainda" não faz nenhum tratamento a partir de pesquisas com "células-tronco" mas está "antenado" com as informações passadas por seus médicos e pelo seu pai, Hermano Vianna. E mesmo com a limitação da cadeira de rodas, Herbert aproveita sua exposição na mídia para defender as pesquisas, que podem resultar em novos tratamentos para dezenas de pacientes --inclusive ele mesmo.
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