Ciência
05/03/2008 - 09h42

Lei de Biossegurança foi aprovada de forma "ardilosa", diz ex-procurador

SILVANA DE FREITAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Autor da ação contra as pesquisas com células-tronco embrionárias, o ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles diz que o Congresso aprovou a Lei de Biossegurança "de maneira sub-reptícia, até ardilosa", sem debatê-la com a sociedade --apesar de a lei ter sido proposta em 2003 e só aprovada em 2005. Indagado sobre a expectativa do julgamento, ele desconversou. "O mais importante é que pudemos levar para o país o debate sobre essa questão."

*

FOLHA - Qual a sua expectativa quanto ao julgamento?
CLAUDIO FONTELES - O mais importante é que pudemos levar para o país o debate sobre essa questão. Isso foi muito bom, porque provocou debates nas universidades, na família, na imprensa.

FOLHA - O sr. acha que não houve essa discussão na fase legislativa?
FONTELES - Exatamente. O projeto foi aprovado de uma maneira sub-reptícia, eu diria até ardilosa. Em uma lei que não tem nada a ver com vida humana, mas com produção de alimentos, enxertou-se esse dispositivo.

FOLHA - A ação envolve uma discussão delicada sobre o momento em que começa a vida. Independentemente das questões de direito, se houver algum conflito entre o que a igreja prega e o que a ciência afirma, qual visão deve prevalecer?
FONTELES - Não vejo nenhum conflito. É um problema da ciência jurídica. Nós temos o princípio fundamental da dignidade da pessoa humana. Para fazer valer esse princípio, vem outro, que é a inviolabilidade da vida. Isso necessariamente remete o Judiciário a definir a vida. Aí ele não se basta. Precisa se socorrer de um diálogo multidisciplinar com outras ciências, como a medicina, a biologia, a genética. A nossa linha sustenta que no momento da fecundação tem-se a vida. Aí há outras correntes, que dizem, por exemplo, que começa quando o sistema nervoso se forma.

FOLHA - São duas posições distintas, e os ministros terão de fazer uma opção. Terão de levar em conta a questão religiosa?
FONTELES - Não é uma questão religiosa, é científica. A base da nossa posição é que, no ato de fecundar, surge uma célula chamada zigoto, que começa a se autodesenvolver. Tanto que já no segundo dia ela se biparte. Isso é o princípio da vida. O nosso raciocínio é extremamente lógico, científico.

FOLHA - Essa pesquisa não é bastante importante para curar doenças e salvar vidas?
FONTELES - A minha ação impede uma única linha de pesquisa, que é com o embrião humano. A medicina está mostrando que são possíveis pesquisas em muitas outras variáveis. O Estado tem de abrir as várias vertentes de pesquisa.

Comentários dos leitores
Laércio Henrique (6) 01/08/2008 14h21
Laércio Henrique (6) 01/08/2008 14h21
O mal de notícias por amadores é que se tornam extremamente tendenciosas. Falam em destruição de embrião quando este, se destruído, não servirá ao propósito. A intenção é manter as células embrionárias vivas para que originem os diversos tecidos, logo, não é verdade que haverá destruição intencional.
Para falar de biologia é preciso saber biologia.
12 opiniões
avalie fechar
Paulo Rêis (40) 01/08/2008 09h47
Paulo Rêis (40) 01/08/2008 09h47
Ainda bem que não lemos só notícias que nos deprimem e nos fazem parecer desamparados, não tendo a quem apelar, como roubalheira de políticos, a "simpatia" da justiça pelos criminosos poderosos,etc...
Essa notícia nos enche de alegria, pois é mais um passo para curas de muitos males.
Acho que esses cientistas deveriam ser mais prestigiados e mostrados na mídia como heróis , dignos de admiração ,e modelos para a nossa juventude que nasceu e está sendo criada nesse mar de lama, que tomou conta de nosso país.
6 opiniões
avalie fechar
Regina Fazioli (1) 29/07/2008 15h46
Regina Fazioli (1) 29/07/2008 15h46
SAO PAULO / SP
Nem sempre o internauta encontra o que precisa na rede mundial. Nesses casos, uma boa ajuda pode ser dada pela equipe da Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo. Os profissionais que lá trabalham (bibliotecários, advogado, licenciado em Letras) estão preparados para responder perguntas sobre cidadania, legislação, serviços da administração estadual -, mas quase sempre o trabalho se estende para outras áreas.
Leia a reportagem na íntegra em:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=97222&siteID=1
Use e abuse!!!
Abs,
Regina Fazioli
Biblioteca Virtual - Coordenadora
www.bv.sp.gov.br
(11) 2193-8119
rfazioli@sp.gov.br
3 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (709)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca