Lei de Biossegurança foi aprovada de forma "ardilosa", diz ex-procurador
SILVANA DE FREITAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília
Autor da ação contra as pesquisas com células-tronco embrionárias, o ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles diz que o Congresso aprovou a Lei de Biossegurança "de maneira sub-reptícia, até ardilosa", sem debatê-la com a sociedade --apesar de a lei ter sido proposta em 2003 e só aprovada em 2005. Indagado sobre a expectativa do julgamento, ele desconversou. "O mais importante é que pudemos levar para o país o debate sobre essa questão."
*
FOLHA - Qual a sua expectativa quanto ao julgamento?
CLAUDIO FONTELES - O mais importante é que pudemos levar para o país o debate sobre essa questão. Isso foi muito bom, porque provocou debates nas universidades, na família, na imprensa.
FOLHA - O sr. acha que não houve essa discussão na fase legislativa?
FONTELES - Exatamente. O projeto foi aprovado de uma maneira sub-reptícia, eu diria até ardilosa. Em uma lei que não tem nada a ver com vida humana, mas com produção de alimentos, enxertou-se esse dispositivo.
FOLHA - A ação envolve uma discussão delicada sobre o momento em que começa a vida. Independentemente das questões de direito, se houver algum conflito entre o que a igreja prega e o que a ciência afirma, qual visão deve prevalecer?
FONTELES - Não vejo nenhum conflito. É um problema da ciência jurídica. Nós temos o princípio fundamental da dignidade da pessoa humana. Para fazer valer esse princípio, vem outro, que é a inviolabilidade da vida. Isso necessariamente remete o Judiciário a definir a vida. Aí ele não se basta. Precisa se socorrer de um diálogo multidisciplinar com outras ciências, como a medicina, a biologia, a genética. A nossa linha sustenta que no momento da fecundação tem-se a vida. Aí há outras correntes, que dizem, por exemplo, que começa quando o sistema nervoso se forma.
FOLHA - São duas posições distintas, e os ministros terão de fazer uma opção. Terão de levar em conta a questão religiosa?
FONTELES - Não é uma questão religiosa, é científica. A base da nossa posição é que, no ato de fecundar, surge uma célula chamada zigoto, que começa a se autodesenvolver. Tanto que já no segundo dia ela se biparte. Isso é o princípio da vida. O nosso raciocínio é extremamente lógico, científico.
FOLHA - Essa pesquisa não é bastante importante para curar doenças e salvar vidas?
FONTELES - A minha ação impede uma única linha de pesquisa, que é com o embrião humano. A medicina está mostrando que são possíveis pesquisas em muitas outras variáveis. O Estado tem de abrir as várias vertentes de pesquisa.
Leia mais
- Lula defende pesquisas com células-tronco embrionárias
- Entenda a votação do STF sobre pesquisas com células-tronco
- Proibir pesquisas condena à desesperança, diz Herbert Vianna
- País já investiu R$ 2 milhões em estudo sob risco
- USP tenta fazer 1ª linhagem 100% brasileira
- Presidente da Câmara defende liberação de pesquisas com células-tronco
Especial


Para falar de biologia é preciso saber biologia.
avalie fechar
Essa notícia nos enche de alegria, pois é mais um passo para curas de muitos males.
Acho que esses cientistas deveriam ser mais prestigiados e mostrados na mídia como heróis , dignos de admiração ,e modelos para a nossa juventude que nasceu e está sendo criada nesse mar de lama, que tomou conta de nosso país.
avalie fechar
Leia a reportagem na íntegra em:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=97222&siteID=1
Use e abuse!!!
Abs,
Regina Fazioli
Biblioteca Virtual - Coordenadora
www.bv.sp.gov.br
(11) 2193-8119
rfazioli@sp.gov.br
avalie fechar