Prêmio foi fruto de acaso, oportunismo e planejamento, afirma geneticista
RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo
O sucesso na ciência é uma mistura de "acaso", "oportunismo" e "planejamento", afirmou ontem o geneticista Oliver Smithies em palestra para um público diversificado de pessoas no parque do Ibirapuera. Uma boa parte do auditório foi ocupada por biólogos jovens.
O papel do acaso em sua carreira, disse, foi a invenção acidental da eletroforese em gel, técnica de separação de moléculas que criou em 1950. A descoberta lhe deu a oportunidade de investigar diferenças genéticas em proteínas do sangue, o que mais tarde culminou em um método para manipular genes e criar animais alterados. Os chamados camundongos "knock-out", que têm genes desativados, são usados hoje no estudo de inúmeras doenças.
Smithies diz que sua vida não mudou muito após o Nobel e que vive bem apesar da idade e do daltonismo --uma doença genética. Segundo ele, são problemas que não atrapalham seu hobby favorito: pilotar aviões.
"Um sábado perfeito para mim é: voar de manhã, almoçar com minha mulher e trabalhar em um experimento à tarde", disse ontem. "Às vezes assisto ao beisebol de noite. Não é uma vida muito complicada."
Smithies fica no Brasil por pelo menos mais um dia. Hoje cedo, o cientista fala no 1º Simpósio Brasileiro de Tecnologia Transgênica, na Unifesp.
Leia mais
- Nobel que descobriu função de célula-tronco embrionária vem ao Brasil
- Embrião usado para terapias não vai morrer, diz Nobel
- Folha Explica o DNA e as implicações da genética e biotecnologia
- Livros de Marcelo Gleiser discutem e explicam física, tecnologia, biologia e genética
Especial


