Ciência
10/03/2008 - 11h39

Clínica não descarta células preservadas por temor de problemas com a Justiça

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JOHANNA NUBLAT
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Três anos depois de sancionada a Lei de Biossegurança, são poucas as clínicas de reprodução que enviam embriões excedentes para estudo. Eles permanecem congelados por falta de autorização dos genitores, desconhecimento de quais são as pesquisas "sérias" no país e receio de problemas jurídicos.

O total de embriões conservados nas 15 maiores clínicas do país chegava a 9.914 em 2005, segundo o último levantamento da SBRA (Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida). Deles, 3.219 estavam congelados por pelo menos três anos --exigência necessária para encaminhá-los à pesquisa.

Seis desses embriões congelados são da agricultora Marta Helena Somilio, 45, de Olímpia (SP). Ela já teve dois filhos e afirma não querer mais engravidar. Mesmo assim, diz que vai "tomar coragem um dia" para inseri-los em seu útero.

"Não quero doar para pesquisa, não me sentiria sossegada com isso. É como se eu tivesse um pouco da minha família congelada", disse.

A posição de Somilio é repetida por muitas pacientes de clínicas de reprodução que optam por não mandar os embriões para pesquisa.

A médica Silvana Chedid, da clínica Chedid Grieco, diz que só conseguiu, até hoje, autorização de dois casais e que, por isso, nunca doou os embriões para estudo. "Conheço um grupo de pesquisadores sério, o problema é que os casais não querem fazer a doação, o que é uma pena. Os embriões estão aqui sem ajudar ninguém e dando despesa", afirmou.

O índice de doação para pesquisa também é baixo no centro de reprodução Franco Júnior, de Ribeirão Preto (SP), que reunia o maior número de embriões congelados em 2005. Até hoje, apenas 55 casais deram a autorização para que seus embriões fossem doados.

O diretor da clínica, José Gonçalves Franco Júnior, diz, no entanto, que a receptividade das pacientes à pesquisa é grande, o que falta é estímulo.

Maria do Carmo Borges de Souza, ex-presidente da SBRA, também reclama da falta de interesse por parte de grupos de pesquisa. "Temos vários casais que assinaram termo dizendo que doam para pesquisa, mas precisamos ter um grupo de pesquisa que diga que tem um trabalho registrado e que venha buscá-los", disse.

Uma última razão pela qual clínicas deixam de oferecer seus embriões para estudo é o medo de ser questionada legalmente --apesar de o casal ter de autorizar por escrito a doação. É o caso do Hospital Pérola Byington, em SP.

"É um serviço público, a exposição é grande e o gerenciamento disso é muito difícil. Preferimos nem ter embriões excedentes por questões administrativas. Já tivemos caso de uma paciente que nos acusou de ter perdido os embriões", afirmou Mario Cavagna, diretor de reprodução humana do hospital paulista.

Interesse nos embriões

Um dos poucos grupos de pesquisa que utilizam embriões brasileiros é o da professora Lygia da Veiga Pereira, da USP. Ela trabalha para desenvolver linhagens brasileiras de células-tronco --o que nunca foi feito no país.
Os embriões que ela utiliza saem da clínica Fertility, de São Paulo, onde, segundo o médico Edson Borges, a aceitação das pacientes à doação para pesquisa é grande.

Pereira diz que, nos últimos anos, descongelou "dezenas" de embriões, mas conseguiu que apenas onze se desenvolvessem até o estágio necessário à pesquisa. A maior parte dos embriões excedentes não resiste ao descongelamento e tem qualidade inferior aos utilizados no processo de reprodução.

Comentários dos leitores
Julio Togni (1) 18/06/2009 14h32
Julio Togni (1) 18/06/2009 14h32
Parabéns aos pesquisadores da USP pela importante descoberta.
Lendo algumas opiniões abaixo sobre pesquisas com células-tronco não pude dexar de notar como, atualmente, é comum "malhar" a Igreja Católica como se ela fosse responsável por inúmeros males presentes no mundo.
Quanto ao assunto em questão, gostaria de expor, com maiúsculas: A IGREJA CATÓLICA NÃO É, NÃO FOI E NUNCA SERÁ CONTRA A PESQUISA COM CÉLULAS-TRONCO! É CONTRA A PESQUISA COM CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS ( E DEVE SER MESMO! ).
É muito importante que haja limites nas pesquisas científicas pois elas não são mais válidas quando realizadas com agressão à vida ou à dignidade de qualquer ser humano, inclusive daqueles que estão nos primeiros estágios de seu desenvolvimento.
Parabéns, novamente, à equipe da USP. E o meu desejo de que a continuidade na pesquisa com células-tronco adultas traga resultados mais espetaculares ainda.
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Conforme relata a Bíblia, Deus fez Adão cair num sono profundo ( anestesia ), serrou-lhe as costelas ( fez uma cirurgia ) e multiplicando as células fez Eva e deu-lha a Adão.
Está aí uma comprovação científica do relato Bíblico.
Células troncos podem ser retiradas de adultos e transforma-las em qualquer órgão, osso, cartilagem e tecido.
Parabens aos cientístas da USP !
Tanto a medicina halopata, homeopática e a fitoterápica vem trazendo benifícios à humanidade, mas a mais promissora de todas é a fitorerápica, pois é ortomolecular.
Na flora da amazônia estão escondidos segredos da " fonte da juventude " ou no mínimo a longevidade de uma vida saudável, como era na antiguidade.
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eduardo camillo (77) 18/03/2009 13h48
eduardo camillo (77) 18/03/2009 13h48
Novamente as células adultas caminhando a anos luz das embrionárias. E tem gente que num aprender... 34 opiniões
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