Ciência
18/03/2008 - 09h08

Grupo faz descoberta com restos de sonda acidentada

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da Folha de S.Paulo

A sonda espacial Genesis --que se espatifou no deserto de Utah (EUA) ao tentar retornar à Terra, em 2004-- conseguiu medir como era o oxigênio que existia quando o Sistema Solar começou a se formar, 4,5 bilhões de anos atrás. Os poucos detectores da espaçonave-robô que sobreviveram ao impacto forneceram a cientistas as amostras necessárias para o principal objetivo da missão, afirmou a revista "Nature".

A notícia chegou à comunidade científica na semana passada, quando o geoquímico Kevin McKeegan, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, apresentou os resultados de sua pesquisa em um congresso em Houston (Texas).

O objetivo da sonda era saber se o oxigênio com massa atômica 16 (O-16), versão mais leve da molécula desse elemento, existe com mais ou menos freqüência no Sol. Na Terra, 99,8% das moléculas de oxigênio conhecidas existem nessa versão (há também O-17 e O-18, mais pesadas). Os dados colhidos pela Genesis mostraram finalmente que a proporção de O-16 na matéria que é emanada diretamente do Sol é maior do que a encontrada na Terra.

A descoberta, dizem os cientistas, cria um novo ponto de referência para estudar a evolução do Sistema Solar, pois a matéria que formou os planetas provavelmente tinha a mesma composição de tipos de oxigênio que o Sol tem hoje.

A Genesis conseguiu uma amostra da matéria que constitui a estrela ao capturar vento solar -partículas eletricamente carregadas que emanam diretamente do Sol.

O desafio agora é descobrir por que a composição do oxigênio na Terra atual é diferente da observada no Sol, afirmam os pesquisadores.

Além de trazer um resultado científico novo, o trabalho de McKeegan foi recebido como uma notícia excelente por administradores da Nasa.

A agência espacial americana tinha dedicado US$ 264 milhões ao projeto da Genesis, lançada em 2001, e temia que o investimento tivesse sido perdido ao ver os pára-quedas da sonda falharem durante seu retorno, causando um impacto que reduziu a pó quase todos os delicados coletores de vento solar feitos de silício, ouro, safira e diamante. Mesmo após a aterrissagem catastrófica, porém, alguns coletores puderam ser parcialmente recuperados.

O fragmento de detector analisado por McKeegan tinha apenas três milímetros. O cientista teve de usar um raio de íons de césio para "limpar" a peça, livrando-se de uma fina camada de material contaminado --medindo 20 milionésimos de milímetro.

Os resultados são o segundo trabalho científico feito a partir dos destroços da sonda. Um estudo sobre a composição de gases nobres (de baixa reatividade, como o hélio) no meio interplanetário também saiu de amostras da Genesis.

 

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