Testes sobre o câncer se baseiam em métodos errados, diz estudo
da France Presse, em Washington
Mais de um terço dos testes clínicos sobre o câncer nos Estados Unidos se basearam em métodos estatísticos errôneos, segundo estudo publicado na terça-feira (25) e que examinou 75 artigos divulgados em 41 revistas médicas de 2002 a 2006.
Os resultados da pesquisa fazem pensar que determinados testes clínicos podem ter concluído de forma errada que alguns tratamentos ou ações preventivas contra o câncer eram eficazes, destacaram os autores da pesquisa, publicada na versão on-line do "Journal of the National Cancer Institute".
De acordo com a pesquisa, 26 destes testes clínicos, ou 35% do total, contêm análises estatísticas que cientistas consideram inadequados para avaliar os efeitos de tratamentos ou intervenções cirúrgicas estudadas.
Os especialistas determinaram que 88% dos estudos recorriam a uma combinação de métodos adequados e inadequados e nove artigos não estavam respaldados em dados suficientes para poder julgar se os métodos analíticos eram aceitáveis ou não.
Exagero
"Não podemos dizer especificamente que um destes estudos em particular é falso, mas podemos dizer que os métodos de análises utilizados em vários deles permitem pensar que alguns provavelmente exageraram a importância de seus resultados", escreveu o médico David Murray, professor de Epidemiologia da Universidade de Ohio, responsável pelo estudo.
Geralmente, em ciência, considera-se aceitável uma margem de erro de 5%, mas, se forem utilizados maus métodos de análise neste tipo de estudo, o risco de equivocar-se é de 50%, prosseguiu Murray observando que "isto não faz avançar a ciência" e desperdiça recursos.
Segundo Murray, é preciso tornar a comunidade científica "consciente da necessidade de prestar atenção a este tipo de problema de metodologia".
Destacou, entretanto, que a utilização destes métodos errôneos de análise não é feita com má intenção e que não busca dirigir os resultados.
Leia mais
- Análise da saliva deve substituir exames de sangue, dizem pesquisadores
- Cientistas identificam gene "mafioso" que controla o câncer de mama
- Identificado novo marcador genético do câncer de mama
- Livro desmitifica o câncer e explica os tratamentos e as possibilidades de cura
- Prepare suco fortificante que ajuda a prevenir tumores
Especial

