Cientistas descobrem gene responsável pelo câncer de pulmão
da Folha Online
da France Presse, em Paris
O risco de uma pessoa ter câncer no pulmão dependeria de variações genéticas individuais, de acordo com pesquisas publicadas nesta quarta-feira pelas revistas científicas "Nature" e pela "Nature Genetics".
A descoberta, feita por três diferentes equipes de pesquisadores, aponta variações associadas ao risco de câncer no pulmão situadas no cromossomo 15, apesar de os autores divergirem sobre se esta é ou não uma relação direta com a dependência à nicotina.
"O fumo é responsável por 9 em cada 10 casos de câncer no pulmão, mas essas pesquisas mostram que certos fumantes têm ainda mais risco de adquirir esse tipo de doença devido ao seu perfil genético", afirma o cientista britânico Lesley Walker.
Segundo os estudos, um fumante que possui a variação genética indicada tem 80% mais chances de desenvolver câncer do que um fumante que não apresenta tais variações.
As pesquisas ainda apontam que o risco de câncer no pulmão é quase duas vezes superior nas pessoas que possuem as variações genéticas com relação àquelas que não as possuem.
"O risco atribuído a este grupo de indicadores representa 15% dos casos de câncer de pulmão", afirma Mark Lathrop, diretor científico da fundação Jean Dausset e diretor do Centro Nacional de Genotipagem da França.
Nicotina
A região do cromossomo 15 identificada por estes estudos contém genes de receptores de nicotina que poderiam desempenhar um importante papel na formação do câncer, favorecendo a fixação da nicotina sobre as células, assim como de outros produtos tóxicos.
Segundo outra hipótese apresentada, é a predisposição à dependência de tabaco que favoreceria o consumo e por conseguinte o risco de câncer.
"Esses resultados poderão abrir novos caminhos para desenvolver e melhorar os tratamentos", diz Paul Brennan, do CIRC (Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, na sigla em inglês), da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Os pesquisadores estudaram os genes de mais de 35 mil pessoas na Europa, Canadá e nos Estados Unidos. A pesquisa envolveu apenas pessoas descendentes de europeus. Segundo os cientistas, novos estudos serão realizados envolvendo pessoas de origens africanas e asiáticas.
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