Especialistas alertam para crescimento de casos de mal Parkinson
da France Presse, em Paris
O envelhecimento da população no mundo deve provocar um aumento significativo dos casos de mal de Parkinson, gerando grande demanda para os sistemas de saúde nas próximas décadas, alertaram especialistas nesta sexta-feira (11), no Dia Internacional do mal de Parkinson.
Os especialistas afirmam que a crescente incidência do mal, além de outras doenças neurodegenerativas, vai provocar uma carga extra para as redes de saúde, que já se encontram saturadas.
Em muitos países, os pacientes possuem uma grande dependência dos serviços de assistência voluntária devido à "falta de recursos institucionais apropriados, consistentes e acessíveis", afirmou Mary Baker, presidente da Sociedade Européia do mal de Parkinson.
Com o envelhecimento da população, "o custo será astronômico para as nações que não tomarem ações imediatas", disse.
Os especialistas afirmam que o Dia Internacional do mal de Parkinson é uma forma para desmistificar crenças que se tem sobre a doença, que afeta cerca de 6,5 milhões de pessoas em todo o mundo.
James Parkinson, médico inglês que diagnosticou pela primeira vez a doença, chamou o mal de "paralisia agitante".
Os sintomas da doença incluem rigidez muscular, dificuldade para iniciar movimentos, falta de equilíbrio e lentidão nas ações voluntárias.
"No mundo atual é necessário se mover rapidamente, comunicar-se por linguagem corporal e das emoções', diz o psiquiatra francês Philippe Nuss, do hospital Saint Antoine de Paris. "E o Parkinson ataca justamente nessas três áreas", afirma.
Para Marie Vidhaillet, neurologista do hospital parisiense Pitié Salpetrière, viver com essa enfermidade é como um clima instável, com uma seqüência de dias bons e ruins. "É preciso aprender a viver com ela [a doença] sem sucumbir."
Doença
O Parkinson é provocado pela disfunção ou morte dos neurônios que produzem dopamina, um neurotransmissor químico que regula, entre outras coisas, o movimento corporal.
Alguns medicamentos compensam essa falta de dopamina, embora não sejam totalmente eficazes. Ainda existem tratamentos de neurocirurgia, mas apenas 5% dos casos se mostram eficazes.
Segundo Vidhaillet, um dos conceitos errados que envolvem o mal é de que se trata de uma doença que afetam apenas pessoas idosas.
Contudo, pelo menos 10% dos doentes na França possuem menos de 45 anos, mas "muitos médicos não acreditam que se trate de um mal de Parkinson se o paciente tiver essa idade", acrescenta.
"Em nossa sociedade, onde ninguém tem o direito de envelhecer, essa doença é duplamente estigmatizada", conclui Vidhaillet.
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