EUA ligam medicamento contaminado a 81 mortes no país
da Folha Online
Autoridades federais norte-americanas afirmaram na segunda-feira (21) que a substância que contaminou lotes do anticoagulante heparina foi identificada em 11 países diferentes. Segundo o FDA (agência norte-americana de controle de medicamentos), há claras evidências de que a substância encontrada no medicamento produzido na China está relacionada a 81 mortes nos Estados Unidos, informa o "New York Times".
No entanto, a China contesta as afirmações e diz que a substância encontrada no medicamento não é mortal. O país coloca inspetores chineses à disposição das autoridades norte-americanas para que sejam realizadas vistorias em instalações nos EUA onde são feitas as finalizações do medicamento.
A China afirma também que qualquer acordo prevendo visitas de inspetores dos EUA em instalações chinesas deverá ser recíproco.
Em março, o FDA identificou a substância contaminante como sendo sulfato de condroitina. A substância foi encontrada nas injeções de heparina vendidas pela Baxter Internacional, relacionados a centenas de casos de reações alérgicas.
Outros países
Segundo Ning Chen, segundo secretário da embaixada chinesa, não há evidências de que o problema esteja relacionado com a heparina em si ou com alguma substância que contaminou o medicamento.
Ele afirma que os males associados às contaminações ocorreram apenas nos EUA, o que sugere ser um problema restrito ao país.
Mas, de acordo com a diretora do FDA (agência norte-americana de controle de medicamentos), Janet Woodcock, a agência reguladora alemã também identificou relação do uso da heparina contaminado com reações apresentadas por pacientes que realizaram hemodiálise.
Woodcock afirma que a heparina fornecida pela China à Alemanha estava contaminada, embora autoridades chinesas neguem a relação do contaminante com os sintomas alegados.
O FDA diz ter identificado 12 companhias chinesas que forneceram o medicamento contaminado para 11 países diferentes --Austrália, Canadá, China, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia e EUA.
Deborah Autor, também diretora do FDA, informa que a agência não conseguiu identificar a fonte original de toda a contaminação nem em que ponto da cadeia de fornecimento a substância pode ter sido adicionada ao medicamento.
Segundo as autoridades, a relação das mortes com o medicamento pode estar concentrada nos EUA pelo fato de que os médicos norte-americanos estão mais aptos a identificar os efeitos colaterais da droga do que seus colegas de fora do país.
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