Ciência
23/04/2008 - 16h47

Eficiência dos remédios contra disfunção erétil depende de paciente

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THIAGO FARIA
da Folha Online

Com poucas diferenças entre eles, atualmente são cinco os medicamentos disponíveis no Brasil que atuam como inibidores da enzima PDE-5 (fosfodiesterase tipo 5) usados para tratar a disfunção erétil (veja tabela abaixo). De acordo com especialistas, a eficácia das drogas gira em torno dos 70% dos casos, mas pode variar de acordo com o paciente e também com as causas do problema.

Para o urologista André Cavalcanti, diretor da Sociedade Brasileira de Urologia, antes de estabelecer um grau de eficiência, é preciso definir se a disfunção erétil é causada por questões orgânicas ou psicológicas.

"Existe sempre um componente psicológico no paciente de disfunção erétil. Nestes casos, o medicamento também pode ser útil", afirma o especialista.

AP
Viagra é um dos mais conhecidos medicamentos contra impotência sexual
Viagra é um dos mais conhecidos medicamentos contra impotência sexual

Pioneiro, o Viagra (sildenafil) é a opção mais conhecida. Para medir a vantagem da pílula azul com relação aos outros medicamentos, a empresa utiliza o ERE (Escala de Rigidez de Ereção), que adota quatro pontos para medir o grau de rigidez da ereção.

A escala varia entre situações em que o pênis cresce, mas não é rígido, ao pênis completamente rígido. Segundo a Pfizer, o Viagra atinge o grau máximo.

No entanto, a vantagem do Viagra quanto à rigidez ideal do pênis é contestada pelo laboratório Eli Lilly, que desde 2003 produz o Cialis (tadalafil). "Até onde sabemos, não há estudos científicos para fazer esta comparação", diz o diretor de marketing da empresa, Antonio Alas.

Ele cita como a principal vantagem do Cialis o seu tempo de ação no organismo, que vai até 36 horas --contra de 4 a 8 horas dos concorrentes.

Também lançado em 2003, o Levitra, da Bayer, utiliza como princípio ativo o vardenafil. Seu diferencial está no fato de ser vendido em embalagens de uma unidade.

Utilizando o mesmo princípio ativo, o Vivanza chegou ao mercado no fim de 2005 como "espelho" do Levitra. Fabricado pelo laboratório brasileiro Medley, a vantagem do fármaco, segundo a empresa, está no início de sua ação --a partir de 10 minutos após sua ingestão.

Divulgação
Ação no organismo do Cialis, fabricado pelo laboratório Eli Lilly, pode durar até 36 horas; concorrente do Viagra foi lançado em 2003
Ação no organismo do Cialis, fabricado pelo laboratório Eli Lilly, pode durar até 36 horas; concorrente do Viagra foi lançado em 2003

"Para as três primeiras drogas que já foram amplamente estudadas, o vardenafil apresenta, em estudos laboratoriais, maior potência quando comparada ao sildenafil e ao tadalafil", afirma Cavalcanti.

Nacional

Lançado em janeiro deste ano, o Helleva é o mais novo concorrente no mercado de inibidores da enzima PDE-5. O medicamento, que tem como princípio ativo a lodenafil, é produzido pelo laboratório Cristália em uma fábrica no interior de São Paulo.

O Helleva tem duração semelhante ao do Viagra, com o início da ação entre 17 e 20 minutos, de acordo com o urologista Gilvan Neiva Fonseca, que participou das pesquisas que ajudaram a desenvolver o medicamento.

O laboratório aponta o preço do Helleva como um dos diferencias do medicamento. O Helleva é vendido em farmácias com preço máximo ao consumidor de R$ 91 (caixa com 4 comprimidos de 80 mg), enquanto uma caixa do Viagra com a mesma quantidade de comprimidos sai entre R$ 109 (25 mg) e R$ 188 (100 mg).

Contra-indicações

Segundo Fonseca, que é chefe do serviço de urologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, os diferentes radicais farmacológicos encontrados no mercado atualmente atuam de forma parecida. "A diferença está na forma como ele irá atuar em cada pessoa. A preferência depende do resultado no paciente", afirma.

Ele explica que, em algumas ocasiões, as drogas podem inibir um tipo de fosfodiesterase diferente do tipo 5 --relacionada à disfunção erétil-- o que causa os efeitos colaterais.

Em termos gerais, o especialista aponta que os pacientes podem apresentar dores de cabeça, calor no rosto, "queimação" no estômago, dores musculares e rubor facial. Pesquisas citadas por Fonseca mostram que os casos de reações indevidas às drogas são observadas em no máximo 15% dos pacientes.

"Nenhum dos medicamento podem ser utilizados com derivados de nitratos, drogas usadas para dilatar a artéria coronária ou melhorar o fluxo coronariano. A associação pode causar queda de pressão arterial, causando uma isquemia da coronária e até podendo causar infarto", afirma o médico.

"Piratas"

Fonseca também alerta para o aumento do uso de medicamentos que não têm sua origem identificada, como o Pramil, facilmente encontrado na internet.

"Não recomendo porque não sabemos qual é o princípio ativo, concentração, veículos que são associados a este medicamento", afirma.

O especialista trata a disfunção erétil como um sintoma que pode esconder um problema maior, levando a conseqüências mais graves, como um infarte. "A disfunção erétil é uma patologia que tem que ser tratada como disfunção endotelial [relacionada às paredes internas das artérias]."

Remédios para disfunção erétil
MEDICAMENTO Viagra Cialis Levitra Vivanza Helleva
LABORATORIO Pfizer Lilly Bayer Medley Cristália
PRINCIPIO ATIVO Sildenafil Tadalafil Vardenafil Vardenafil Lodenafil
DURAÇÃO DA AÇÃO de 4 a 6 horas até 36 horas de 4 a 8 horas de 4 a 8 horas de 4 a 6 horas
CONTRA-INDICAÇÃO Nitratos Nitratos Nitratos Nitratos Nitratos

Fontes: André Cavalcanti, chefe do serviço de urologia do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro. Gilvan Neiva Fonseca, chefe do serviço de urologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás

Comentários dos leitores
Antônio Marmo Cardoso (1) 23/05/2009 21h37
Antônio Marmo Cardoso (1) 23/05/2009 21h37
OLA
Os ganhadores do prêmio Nobel de Medicina de 1998, na verdade foram 3: Furchgot, Louis Ignarro e Ferid Murad, todos pelo estudo conjunto do Óxido Nitrico. Fiz uma entrevista com Igarro para a revista Scientific American, onde ele conta
que ajudou sua mãe a superar crises de hipertensão
com doses de arginina - que potencializa a produção de oxido nitrico-, depois de procurar
produtos similares em farmácias, sem
encontrá-los. A indústria farmacêutica, afirma,
não se interessa por aquilo que não gera patentes.
O cientista acabou produzindo suas próprias
cápsulas, surpreendendo o médico da mãe,
que achava que as receitas dele é que estavam
gerando os resultados. Furchgot foi precursor nos estudos do NO mas Ignarro foi mais longe.
3 opiniões
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ANIBAL FAGUNDES (26) 04/03/2009 20h13
ANIBAL FAGUNDES (26) 04/03/2009 20h13
com relação a esses ´´ milagrosos medicamentos``, quando será lançado o generico, visto que é brochante o preço que ser cobram por quatro comprimidos deste remedios. 14 opiniões
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Mauro Tyba (1) 26/11/2008 11h48
Mauro Tyba (1) 26/11/2008 11h48
Como até hoje não precisaria de Viagra, demorei a experimentá-lo até porque temia os possíveis efeitos colaterais. Depois de tê-lo usado pela primeira vez, porém, descobri que com o medicamento o desempenho é bem melhor. Tive a mesma sensação de quando me descobri míope e inaugurei os óculos: a visão ficou mais confortável e passou a ter um alcance maior. Embora só use o Viagra esporadicamente (na maioria das vezes dispenso o produto para evitar a dependência), não sinto nenhum incômodo - pelo contrário. O Viagra é, sem dúvida, uma das melhores descobertas científicas da história farmacêutica de nosso tempo. Parabéns à Pfizer pelo pioneirismo. 7 opiniões
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