Ciência
20/05/2008 - 09h17

Após 25 anos, descobridores do HIV lamentam lentidão nas pesquisas

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da France Presse, em Paris
da Folha Online

Centenas de cientistas, entre eles Luc Montagnier e Robert Gallo, descobridores do vírus da Aids, se reuniram na segunda-feira (19) no Instituto Pasteur de Paris, onde acontece um encontro de três dias para discutir os 25 anos do HIV e os esforços da comunidade científica para vencer a doença. No início da reunião, Montagnier e Gallo lamentaram a lentidão no enfrentamento da epidemia.

Este aniversário não é "uma celebração" nem "uma comemoração", pois "o vírus continua aí", afirmou Montagnier, cujos trabalhos permitiram a identificação do vírus em 1983. "Gostaria de festejar com vocês o fim da Aids, em vez dos 25 anos do descobrimento do vírus", declarou.

"Não estamos satisfeitos", continuou Montagnier, afirmando esperar que, no médio prazo, seja possível uma vacina terapêutica que restaure o sistema imunológico, que é prejudicado pela doença, "talvez, um dia, uma preventiva".

O norte-americano Robert Gallo, por sua vez, que confirmou a identificação do vírus em 1984, lamentou que os testes com a vacina não tenham sido feitos em grande escala. 'Houve grandes avanços, mas também grandes erros, e falta ainda muito por fazer', declarou.

Referindo-se aos efeitos trágicos da doença, Gallo comparou a Aids a um "tsunami mensal, com 200 mil mortos por mês".

Tanto Gallo como Montagnier destacaram que as tensões e as disputas em torno da paternidade do descobrimento do vírus ficaram para trás. "Somos colegas e amigos", disse o professor norte-americano.

Entre 1983 e 1984, Montagnier teria sido o primeiro a isolar o vírus HIV e enviado amostras para Gallo. A partir disso, o norte-americano teria descoberto que aquele vírus era o causador da Aids, a doença desconhecida que alarmava o mundo na primeira metade da década de 80. A história, ainda nebulosa, terminou apenas na década seguinte, após um acordo entre os governos dos dois países.

Interesse

O diretor da Agência Nacional francesa de Pesquisa sobre a Aids e as Hepatites Virais, Jean-François Delfraissy, alertou sobre a tendência a considerar a Aids como uma doença crônica, "que é um risco de banalização".

Do mesmo modo, os participantes chamaram a atenção sobre a necessidade de financiamento para a pesquisa. "O dinheiro é sempre um problema, mas hoje é o maior problema", disse Gallo.

Em outubro do ano passado, Gallo negou, em entrevista à Folha Online, que o Brasil fosse referência no combate à Aids --contrariando a opinião de organismos internacionais como a ONU (Organização das Nações Unidas).

Ele afirmou que distribuir remédios gratuitamente e oferecer tratamento são uma obrigação do Brasil, assim como de outros países. Ele ainda ironizou, dizendo que o Brasil pode ser modelo "talvez para a África do Sul".

A diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, rebateu essas afirmações. Segundo ela, o "fato de países como Alemanha e Inglaterra colocarem dinheiro aqui para que possamos coordenar projetos de cooperação internacional demonstra o reconhecimento do nosso trabalho".

Comentários dos leitores
Como pode o cidadão brasileiro ser tão alienado a idéia de seres mágicos, livros sagrados, revelações paranormais e etc? Não existem milagres, existe ciência!
Curioso que há época narrada neste livro mitógico conhecido como bíblia, mais ou menos há 2000 anos, uma doença assolava a população, a LEPRA.
Passados tanto tempo quem curou a doença? Quem a controlou, estudou e detalhou seus mecanismos de infestação e sintomas?
Me desculpem o deboche, mas não foram os "seres mágicos", foram décadas de estudos de dezenas de cientistas dedicados em fazer o bem.
O tempo que perdem, com tanta paixão e egocentrismo, em decorar versículos e mais versículos seria melhor empregado se praticassem a ciência, se estudassem coisas do mundo real.
Parafraseando com o filme de ficção MATRIX, caiam na real e tomem a pílula certa.
sem opinião
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Rui Ruz Caputi Caputi (1165) 05/11/2008 10h18
Rui Ruz Caputi Caputi (1165) 05/11/2008 10h18
Essa matéria de que a Merck que produziu a vacina ajudou a disseminar o vírus da aids é bizarra. Como pode um laboratório ser irresponsável a um nível tão rasteiro como esse? sem opinião
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Marcos Martins (2) 04/11/2008 20h29
Marcos Martins (2) 04/11/2008 20h29
A AIDS tem tudo para ser a chamada "chaga maligna e incurável" citada no livro do Apocalipse, o último da Bíblia cristã. Se assim for, não haverá cura. Porém, como médico, digo que nunca se deve desistir de tentar encontrá-la. 7 opiniões
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