Ciência
24/05/2008 - 14h51

Nasa tenta pousar sonda em Marte com brasileiro no comando

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FELIPE MAIA
da Folha Online

Este domingo (25) será marcado por tensão na Nasa (agência espacial norte-americana). Após um investimento de mais de US$ 450 milhões e uma viagem de 679 milhões de quilômetros feita em quase dez meses, a sonda Phoenix estará pronta para pousar em Marte e investigar as características da água e outros materiais existentes no pólo norte do planeta.

Entre os comandantes do procedimento --de alto risco-- está o brasileiro Ramon de Paula, chefe dessa missão na agência espacial.

O engenheiro está nos Estados Unidos desde 1969, quando tinha 17 anos de idade. Foi acompanhar o pai, oficial da Força Aérea Brasileira, que foi trabalhar na Comissão Aeronáutica Brasileira, em Washington. De Paula estudou engenharia eletrônica e depois fez especialização em engenharia nuclear. Trabalhou no JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) --o grande berçário de tecnologias da Nasa-- e está no "quartel-general" da agência espacial, em Washington, desde 1989. Comanda missões para Marte desde 2000.

Nasa
Concepção artística mostra a Phoenix com os pés preparados para o pouso; sonda vai analisar gelo na superfície do planeta Marte
Concepção artística mostra a Phoenix com os pés preparados para o pouso; sonda vai analisar gelo na superfície do planeta Marte

Para o pouso deste domingo, que deve ocorrer por volta das 20h30 no horário de Brasília, a apreensão é grande em razão das dificuldades no procedimento: prova disso é que menos de 50% das sondas que tentaram pousar em Marte obtiveram sucesso até hoje. E a Nasa não consegue pousar uma sonda ali utilizando motores retropropulsores --a tecnologia utilizada pela Phoenix-- desde 1976.

Em 1999, a sonda Mars Polar Lander se perdeu após tentar chegar ao solo do planeta. "Não descemos com esse tipo de pouso há 32 anos. Isso cria uma grande expectativa, ansiedade, preocupação", afirmou de Paula à Folha Online.

Para que o procedimento tenha sucesso, uma conjunção de fatores tem de se concretizar. A nave vai chegar à atmosfera com uma velocidade de 5,7 quilômetros por segundo que, em cerca de seis minutos e meio, será reduzida para 2,4 quilômetros por segundo antes de tocar o solo. Para isso, vai utilizar a fricção atmosférica de Marte, depois um pára-quedas e motores retropropulsores.

Depois, a preocupação será analisar se a Phoenix conseguiu abrir corretamente os seus painéis solares, necessários para fornecimento de energia e recarregagem das baterias --qualquer rocha com mais de meio metro nas redondezas pode atrapalhar essa abertura.

Deve demorar cerca de 15 minutos até que o controle da missão em terra comece a receber os sinais de rádio da sonda, em formato UHF, que permitirão analisar se o procedimento foi feito corretamente. Segundo de Paula, neste momento, o máximo que os profissionais poderão fazer é torcer. Isso porque a Phoenix é praticamente autônoma --o tempo máximo para fazer ajustes é um período entre quatro e seis horas antes do pouso.

Missão no gelo

Se tudo ocorrer conforme o planejado, a sonda vai ficar em operação por 90 dias. Durante esse período, vai analisar a camada de gelo existente na superfície de Marte por meio de um braço robótico. O equipamento deve perfurar o gelo até o solo e trazer amostras que serão analisadas por instrumentos localizados na própria sonda em Marte. Entre eles estão câmeras e microscópios, além de outros equipamentos de análise.

Ao estudar as condições e as origens da água no local, a Phoenix vai procurar por outras condições propícias para a vida no planeta, como compostos orgânicos. A sonda é capaz de coletar pequenas quantidades desses compostos e identificá-los. As duas naves Viking, da Nasa, que chegaram à Marte em 1976, não detectaram a existência desses compostos.

Para a Nasa, estudar a água em Marte é chave para descobrir respostas importantes, como se o planeta já teve vida. Segundo a agência, os pesquisadores também podem descobrir maiores informações sobre o processo de mudança climática. "Estamos cientes dos riscos e das dificuldades [da missão]. Mas achamos que é importante entender o pólo norte de Marte, saber o que aconteceu com a água, com o clima, como ele mudou. Isso pode beneficiar a gente aqui na Terra", afirma o executivo da agência. As primeiras análises devem sair em cerca de um mês de missão.

Comentários dos leitores
Danilo Mamedio (55) 27/08/2009 11h08
Danilo Mamedio (55) 27/08/2009 11h08
Sr Luiz Donizetti
porque o Sr não fala sobre a roubalheira do governo tucano FHC ?
Governo Fernando Henrique (1995- 2003)
1. Escândalo do Sivam
2. Escândalo da Pasta Rosa
3. Escândalo da CONAN
4. Escândalo da Administração de Paulo Maluf
5. Escândalo do BNDES (verbas para socorrerem ex-estatais privatizadas)
6. Escândalo da Telebrás
7. Caso PC Farias
8. Escândalo da Compra de Votos Para Emenda DA Reeleição
9. Escândalo da Venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)
10. Escândalo da Previdência
11. Escândalo da Administração do PT (primeira denúncia contra o Partido dos Trabalhadores desde a fundação em 1980, feito pelo militante do partido Paulo de Tarso Venceslau)
12. Escândalo dos Precatórios
13. Escândalo do Banestado
14. Escândalo da Encol
15. Escândalo da Mesbla
16. Escândalo do Banespa
17. Escândalo da Desvalorização do Real
18. Escândalo dos Fiscais de São Paulo (ou Máfia dos Fiscais)
19. Escândalo do Mappin
20. Dossiê Cayman (ou Escândalo do Dossiê Cayman ou Escândalo do Dossiê Caribe)
21. Escândalo dos Grampos Contra FHC e Aliados
22. Escândalo do Judiciário
23. Escândalo dos Bancos
24. CPI do Narcotráfico
15 opiniões
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Willy Menezes (1) 26/08/2009 11h44
Willy Menezes (1) 26/08/2009 11h44
O homem pode até ter ido à lua, mas jamais irá ao sol : ) 13 opiniões
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Zé Mané (20) 24/06/2009 08h33
Zé Mané (20) 24/06/2009 08h33
para quem nunca vê nada, nunca sabe de nada, das duas uma: ou é palpiteiro de plantão ou está repetindo interesses de terceiros sem entendê-los. 2 opiniões
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