Ciência
28/05/2008 - 10h00

OMS usa campanha para alertar sobre "armadilhas" no marketing do tabaco

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FELIPE MAIA
da Folha Online

Neste ano, a campanha anual promovida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para o Dia Mundial Sem Tabaco, marcado para 31 de maio, vai tentar livrar o jovem das "armadilhas" criadas pelo marketing da indústria do tabaco. A campanha de publicidade, criada por uma agência brasileira, será exibida em cerca de 200 países.

Divulgação
Em anúncios de mídia impressa, OMS alerta jovens sobre perigos do cigarro
Em anúncios de mídia impressa, OMS alerta jovens sobre perigos do cigarro

Em termos mundiais, a ação é mais voltada para formadores de opinião --pessoas que tenham influência sobre o jovem, incentivando-o a não fumarem, como professores, líderes religiosos ou profissionais de mídia. Também estão no foco pessoas que possam influenciar os governos dos países a restringirem as ações de marketing da indústria do cigarro.

"Os estudos indicam que os jovens são muito vulneráveis [ao cigarro]. Então, se você fizer uma campanha que vá até o formador de opinião, ele pode exercer uma força para reduzir essa possibilidade [da indústria do tabaco] de influenciar os jovens", afirma Bob Vieira da Costa, sócio-diretor da agência Nova S/B, que desenvolveu a campanha.

A OMS considera o tabagismo uma doença pediátrica, dado que grande parte dos fumantes experimenta o primeiro cigarro e fica dependente antes dos 18 anos de idade.

Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), órgão brasileiro vinculado ao Ministério da Saúde, cerca de 100 mil jovens começam a fumar todos os dias no mundo.

Por isso, a organização mundial resolveu adotar o tema "Jovens sem Cigarro" para a campanha deste ano. Em cada país, os anúncios receberão adaptações de acordo com as necessidades locais, em mídias como peças impressas, internet, rádio e TV.

Exceção

No Brasil, por exemplo, o foco deve ser o jovem em si, em razão de o país já adotar medidas que limitam a propaganda de cigarro e exibir imagens de advertência sobre os riscos do fumo. "O Brasil é um caso à parte, porque já avançou muito nesse sentido", diz Costa.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil foi o segundo país --após o Canadá-- a adotar imagens de advertência como forma de evitar a experimentação do cigarro por jovens e adolescentes.

Desde 2001, os fabricantes de cigarro são obrigados por lei a colocaram advertências ilustradas com fotos no rótulo dos produtos. Novas imagens com esse fim foram apresentadas pelo governo brasileiro na terça-feira (27).

A campanha será liderada no Brasil pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), representação regional da OMS nas Américas, em parceria com o Ministério da Saúde. Além de mídia impressa, a campanha terá vídeo para televisão, que deve ser exibido pelas televisões educativas e públicas.

Sedução

Na produção, um casal jovem que se encontra em uma festa conversa por meio de um rap cantado em inglês --o filme tem legendas. Ele tenta atraí-la com argumentos de sedução representados pelo cigarro e sua fumaça, mas ela rejeita e alerta para os riscos de "cair na rede" do marketing do tabaco. Nas peças de mídia impressa, imagens mostram os jovens fugindo dessa rede.

Costa defende medidas para "constranger" o fumante, como limitar o fumo em certos locais, ou restringir a propaganda. "O fumante tem que ficar efetivamente constrangido, o produto tem que ficar efetivamente estigmatizado. Só assim vamos conseguir uma conscientização", afirma.

Entretanto, ele rejeita medidas semelhantes para bebidas alcoólicas. "Não é o mesmo debate, são coisas distintas", afirma. Segundo o publicitário, o ato de beber álcool é uma escolha individual, que não faz com que "a pessoa fique invariavelmente dependente". "Isso é completamente diferente do tabaco, que não dá opção. Quando [o fumante] cai na rede, não tem jeito", opina.

 

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