OMS usa campanha para alertar sobre "armadilhas" no marketing do tabaco
FELIPE MAIA
da Folha Online
Neste ano, a campanha anual promovida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para o Dia Mundial Sem Tabaco, marcado para 31 de maio, vai tentar livrar o jovem das "armadilhas" criadas pelo marketing da indústria do tabaco. A campanha de publicidade, criada por uma agência brasileira, será exibida em cerca de 200 países.
| Divulgação |
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| Em anúncios de mídia impressa, OMS alerta jovens sobre perigos do cigarro |
Em termos mundiais, a ação é mais voltada para formadores de opinião --pessoas que tenham influência sobre o jovem, incentivando-o a não fumarem, como professores, líderes religiosos ou profissionais de mídia. Também estão no foco pessoas que possam influenciar os governos dos países a restringirem as ações de marketing da indústria do cigarro.
"Os estudos indicam que os jovens são muito vulneráveis [ao cigarro]. Então, se você fizer uma campanha que vá até o formador de opinião, ele pode exercer uma força para reduzir essa possibilidade [da indústria do tabaco] de influenciar os jovens", afirma Bob Vieira da Costa, sócio-diretor da agência Nova S/B, que desenvolveu a campanha.
A OMS considera o tabagismo uma doença pediátrica, dado que grande parte dos fumantes experimenta o primeiro cigarro e fica dependente antes dos 18 anos de idade.
Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), órgão brasileiro vinculado ao Ministério da Saúde, cerca de 100 mil jovens começam a fumar todos os dias no mundo.
Por isso, a organização mundial resolveu adotar o tema "Jovens sem Cigarro" para a campanha deste ano. Em cada país, os anúncios receberão adaptações de acordo com as necessidades locais, em mídias como peças impressas, internet, rádio e TV.
Exceção
No Brasil, por exemplo, o foco deve ser o jovem em si, em razão de o país já adotar medidas que limitam a propaganda de cigarro e exibir imagens de advertência sobre os riscos do fumo. "O Brasil é um caso à parte, porque já avançou muito nesse sentido", diz Costa.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil foi o segundo país --após o Canadá-- a adotar imagens de advertência como forma de evitar a experimentação do cigarro por jovens e adolescentes.
Desde 2001, os fabricantes de cigarro são obrigados por lei a colocaram advertências ilustradas com fotos no rótulo dos produtos. Novas imagens com esse fim foram apresentadas pelo governo brasileiro na terça-feira (27).
A campanha será liderada no Brasil pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), representação regional da OMS nas Américas, em parceria com o Ministério da Saúde. Além de mídia impressa, a campanha terá vídeo para televisão, que deve ser exibido pelas televisões educativas e públicas.
Sedução
Na produção, um casal jovem que se encontra em uma festa conversa por meio de um rap cantado em inglês --o filme tem legendas. Ele tenta atraí-la com argumentos de sedução representados pelo cigarro e sua fumaça, mas ela rejeita e alerta para os riscos de "cair na rede" do marketing do tabaco. Nas peças de mídia impressa, imagens mostram os jovens fugindo dessa rede.
Costa defende medidas para "constranger" o fumante, como limitar o fumo em certos locais, ou restringir a propaganda. "O fumante tem que ficar efetivamente constrangido, o produto tem que ficar efetivamente estigmatizado. Só assim vamos conseguir uma conscientização", afirma.
Entretanto, ele rejeita medidas semelhantes para bebidas alcoólicas. "Não é o mesmo debate, são coisas distintas", afirma. Segundo o publicitário, o ato de beber álcool é uma escolha individual, que não faz com que "a pessoa fique invariavelmente dependente". "Isso é completamente diferente do tabaco, que não dá opção. Quando [o fumante] cai na rede, não tem jeito", opina.
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