Ciência
29/05/2008 - 18h32

Presidente do STF faz ressalvas à Lei de Biossegurança

da Folha Online

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, votou nesta quinta-feira (29) pela constitucionalidade da Lei de Biossegurança, porém fez ressalvas à legislação, por considerar que a norma brasileira possui deficiências. Com isso, segundo a assessoria de imprensa do Supremo, o julgamento permanece com sete votos favoráveis a realização de pesquisas com células-tronco embrionárias, nos parâmetros estabelecidos pela lei.

Com isso, caso não haja mudanças nas opiniões dos ministros, já existem votos favoráveis suficientes à realização desses estudos no país. Por volta das 18h30 desta quinta-feira (29), os ministros faziam a análise final do processo.

Mendes afirmou que "causa perplexidade" perceber que no Brasil esse tema seja regulamentado por apenas um artigo --o 5º da Lei de Biossegurança. Ele disse que a lei deixa de destinar um órgão central para a fiscalização das pesquisas, vinculado ao Ministério da Saúde. "Não seria o caso de declaração total de inconstitucionalidade".

O julgamento, que começou no último dia 5 de março e foi retomado ontem, analisa uma ação direta de inconstitucionalidade contra um artigo da Lei de Biossegurança que permite a utilização em pesquisas de células-tronco embrionárias fertilizadas in vitro e não utilizadas.

A ação foi proposta em 2005 pelo então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que defende que o embrião pode ser considerado vida humana. Ele pede a exclusão do artigo.

Até agora, sete ministros votaram contra a ação, ou seja, a favor das pesquisas mediante o que determina a lei: Marco Aurélio de Mello, Carlos Ayres Britto, Ellen Gracie, Cármen Lúcia Antunes Rocha, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Celso de Mello.

Ricardo Lewandowski e Carlos Alberto Menezes Direito votaram pela "constitucionalidade parcial" da lei e sugeriram modificações, entre elas a imposição de que só sejam feitas pesquisas com células embrionárias retiradas sem destruir o embrião.

Já o ministro Eros Grau votou pela constitucionalidade da lei, mas também pediu modificações no texto. Gilmar Mendes votou pela constitucionalidade, mas fez ressalvas.

O voto de Peluso foi computado ontem como contra as pesquisas. Hoje, no entanto, ele afirmou que foi mal interpretado. "Meu voto não contém nenhuma restrição às pesquisas", afirmou.

Comentários dos leitores
MAC Castro (125) 09/10/2008 16h59
MAC Castro (125) 09/10/2008 16h59
SOU CATOLICO MAIS NÃO BURRO, VIVA A DESCOBERTA E QUE ASSIM MINIMIZE O SOFRIMENTO DAS PESSOAS (ESPERO QUE SEJAM OS MAIS NECESSITADOS AMPARADOS PELO GOVERNO) . 1 opinião
avalie fechar
Marcos Trajano (27) 01/10/2008 14h16
Marcos Trajano (27) 01/10/2008 14h16
Parabéns à USP, daqui a algum tempo teremos os frutos dessa pesquisa, para a decepção desse povo tapado que sempre se posicionou contra às pesquisas com células tronco. Até mesmos os tapados serão beneficiados. 12 opiniões
avalie fechar
José Costa (1) 01/10/2008 06h16
José Costa (1) 01/10/2008 06h16
A USP mostra a força da universidade brasileira. Li o livro "Admirável Mundo Novo" de Aldous Husley. Devemos ter limites para uso dessas pesquisas, mas sou a favor do uso de células-tronco na cura de doenças e da pequisa com embriões que seriam jogados fora! 5 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (718)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca