Ciência
30/05/2008 - 14h56

Síndrome da morte súbita infantil pode ter relação com bactérias

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da Associated Press, em Londres
da Folha Online

Um fenômeno assustador conhecido como síndrome da morte súbita infantil, uma das principais causas de óbito de crianças com menos de um ano, pode ter relação com bactérias. A afirmação está em uma pesquisa patrocinada pela Fundação para o Estudo de Mortes Infantis, do Reino Unido, e publicada no jornal especializado "Lancet".

Um diagnóstico da síndrome da morte súbita infantil significa que nenhuma outra causa de óbito foi detectada em uma criança supostamente saudável que morreu repentinamente.

Segundo pesquisadores, a presença de bactérias como Staphylococcus aureus (a principal vilã dos hospitais, que adquiriu resistência aos antibióticos conhecidos) e E. coli (que vive no intestino de animais e humanos e pode provocar diarréia com sangue e problemas renais) pode ser fator contribuinte para a ocorrência da síndrome.

Essas bactérias foram encontradas em cerca de metade dos bebês que morreram repentinamente e sem explicação no período de dez anos em um hospital londrino. Os especialistas alertam, porém, que elas não necessariamente foram as causas desses óbitos.

"Não sabemos se é uma causa ou se apenas leva a algum outro fator de risco", afirma Nigel Klein, professor do hospital infantil Great Ormond Street, onde o estudo foi realizado.

Ele ressalta que a alta concentração de bactérias pode ser um sintoma de alguma outra condição que levou à morte dos bebês, como a presença em um quarto muito quente ou mal ventilado. Klein também não descarta tratar-se de uma mera coincidência.

Foram realizadas autópsias de 470 crianças que morreram entre 1996 e 2005. Bactérias foram encontradas em 181 bebês, quase metade dos 365 cujos óbitos não puderam ser explicados. Os microorganismos estavam concentrados nos pulmões e baços das crianças.

O problema acomete principalmente bebês de oito a dez semanas de vida. No nascimento, as mães transferem anticorpos, que previnem infecções, para seus filhos. Porém, perto dos dois meses de vida, os anticorpos já não estão mais presentes e geralmente as crianças ainda não têm defesas próprias suficientes. Isso pode torná-las particularmente vulneráveis a infecções, afirma James Morris, patologista da Royal Infirmary, em Lancaster, co-autor de um artigo que acompanha o estudo no jornal.

Atualmente, como parte das recomendações para evitar a morte súbita em bebês, os médicos pedem aos pais que não coloquem as crianças para dormir de bruços e evitem deixar muitos cobertores no berço.

 

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