Adesivo contra "diarréia dos viajantes" é eficaz, afirmam cientistas
da Efe, em Londres
Adesivos que substituem injeções também são eficientes na diminuição da incidência de diarréia, aponta uma pesquisa publicada pela revista "The Lancet". Os "patches" contêm toxinas da bactéria Escherichia coli enterotoxigênica (Etec), principal causadora da doença.
Segundo o estudo, os viajantes imunizados com adesivos manifestam episódios mais curtos e menos graves da doença.
A Etec é a causa mais freqüente de diarréia entre as pessoas que viajam para áreas onde a doença é endêmica e entre crianças que vivem em países desenvolvidos. A cada ano, cerca de 27 milhões de viajantes e 210 milhões de crianças são afetados pela diarréia aguda.
A diarréia dos viajantes dura normalmente entre quatro e cinco dias e costuma causar náuseas, vômitos, cólicas abdominais e desidratação.
A Etec, que é transmitida através de comida ou bebida contaminada, se aloja no intestino delgado e libera uma toxina termolábil (LT) e outra termoestável (ST). As toxinas LT estão presentes em aproximadamente dois terços dos casos de diarréia causados pela Etec.
Estudos e dados prévios mostraram que as vacinas anti-LT protegem a curto prazo contra a diarréia, mas, apesar de as toxinas serem um antígeno ideal, são muito tóxicas para serem administradas pelas vias oral, nasal ou através de injeções.
Dessa forma, mostrou-se necessário um modo de administração diferente. Por isso, especialistas comandados por Gregory Glenn e Sarah Frech, da Iomai Corporation, empresa americana que desenvolve vacinas, estudaram a viabilidade de uma vacina à base de toxinas LT para serem administradas aos viajantes por meio de adesivos.
Os pesquisadores estudaram adultos saudáveis, com idades entre 18 e 64 anos, que viajariam ao México e à Guatemala e que tinham acesso a um centro de vacinação regional nos Estados Unidos.
Os pacientes foram selecionados aleatoriamente para receberem, por meio de adesivos colocados antes da viagem, toxinas LT e placebo.
Dos 201 pacientes avaliados, 178 receberam adesivos de um e de outro tipo, e 170 deles foram examinados. Os cientistas descobriram que 24 (22% do total) dos 111 participantes que receberam placebo tiveram diarréia e 11 (10%) sofreram a doença causada pela Etec.
No grupo que recebeu o adesivo com a vacina de toxinas LT, nove (15%) dos 59 participantes tiveram diarréia, e apenas três (5%), a diarréia dos viajantes.
A doença foi mais grave nos pacientes que receberam placebo do que nos que receberam adesivos com toxinas LT, de modo que essas vacinas tiveram eficácia de proteção de 75% para os casos de diarréia moderada a grave.
Os casos de diarréia grave também foram substancialmente maiores no grupo que recebeu o placebo (11%) do que nos pacientes que receberam adesivos com LT (2%).
Além disso, os pacientes que foram vacinados com adesivos de LT e que mesmo assim adoeceram sofreram períodos mais curtos de diarréia (0,5 dia contra 2,1 dias) e com menos evacuações (3,7 dias contra 10,5 dias) do que quem recebeu placebo.
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