Phoenix consegue colocar amostras do solo de Marte em instrumento de análise
da Folha Online
Após dias de tentativa, a sonda Phoenix finalmente conseguiu coletar material suficiente para começar as análises de solo de Marte. O solo se mostrou mais compacto do que se imaginava, dificultando a tarefa de colocar partículas sobre um instrumento chamado Tega, responsável por fazer essas análises.
A Phoenix vinha tentando colocar amostras de solo no Tega desde sexta-feira (6), mas a quantidade que entrava no aparelho não era suficiente. Apenas algumas partículas passaram pela tela existente em cada "forno" do Tega, mesmo quando as amostras foram agitadas com um instrumento de vibração. Essa tela existe para impedir que pedaços de solo muito grandes entupam a entrada --com diâmetro semelhante a de uma caneta comum-- de cada forno.
A função do Tega (sigla em inglês para Analisador de Gás Térmico e Expandido) é esquentar amostras coletadas pelo braço robótico, transformando os materiais em gases. Com isso, é possível identificar os compostos químicos e analisar sua composição. Primeiro os técnicos vão analisar mostras da superfície do planeta e depois o subsolo, para fazer comparações.
Nesta sexta-feira, o solo entrou em quantidade suficiente. Técnicos da missão consideram que isso ocorreu devido ao efeito cumulativo das vibrações ou em razão de mudanças na compressão do solo, já que amostras ficaram por alguns dias acima da tela.
"Há algo muito pouco comum nesse solo, de um lugar de Marte em que nós nunca estivemos antes", afirma Peter Smith, da Universidade do Arizona, líder dos cientistas da missão, em nota.
Segundo o chefe da missão na Nasa (agência espacial norte-americana), Ramon De Paula, a Phoenix deve fechar o forno do Tega daqui a um ou dois dias e, então, ligar o equipamento. "Queremos ter certeza de que está tudo direito. Mas os resultados vão demorar muitos dias, por causa das análises que têm de ser feitas com os dados [enviados pela sonda]", afirma o brasileiro, por e-mail.
Em busca de carbono
A Phoenix pousou no último dia 25 em Marte, com a missão investigar as características da água e outros materiais existentes no pólo norte do planeta --procurando por condições propícias para a vida no planeta, como compostos orgânicos, ou respostas para questões climáticas, como o aquecimento global.
Apesar de estar a cerca de 275 milhões de km de distância, a Phoenix age de acordo com comandos enviados por profissionais em terra. Os técnicos recebem informações enviadas pela sonda e, com base nessas análises, enviam os comandos para a sonda.
Se tudo ocorrer conforme o planejado, a sonda vai ficar em operação por 90 dias. Enquanto estiver em operação, por meio de um braço robótico, a sonda deve recolher amostras que serão analisadas por instrumentos localizados na própria sonda em Marte. Entre eles estão câmeras e microscópios, além de outros equipamentos de análise, como o Tega.
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