Maconha nos EUA é a mais forte em 30 anos, diz estudo
da Associated Press, em Washington
A potencialidade da maconha nos Estados Unidos aumentou de maneira considerável no ano passado, para o nível mais alto em mais de 30 anos, segundo um relatório da Casa Branca. Para os pesquisadores, essa alta aumenta os riscos para a saúde dos usuários.
As análises, realizadas pelo Potency Monitoring Project, da Universidade do Mississippi, indicam que o percentual médio do THC (tetraidrocanabinol), o princípio ativo da maconha, foi de 9,6% na droga em 2007, contra 8,75% no ano anterior.
O índice de 9,6% representa mais que o dobro da potencialidade da maconha em 1983, quando o índice era de 4%. O estudos foram feitos com base em amostras recolhidas entre 1975 e 2007.
O governo dos EUA atribui o aumento nesses níveis a técnicas sofisticadas de cultivo que produtores estão utilizando em campos dos Estados Unidos e Canadá.
"A potencialidade da maconha tem crescido abruptamente desde a última década, com sérias implicações, em particular para pessoas jovens", afirma John Walters, diretor do White House Office of National Drug Control Policy. Ele aponta riscos como problemas psicossociais, cognitivos e respiratórios, e a possibilidade de usuários se tornarem dependentes de drogas como cocaína e heroína.
"O que é particularmente perturbador é a possibilidade de o TCH ser mais eficiente no estímulo para mudanças no cérebro que podem levar ao vício", afirma Nora Volkow, diretora da National Institute on Drug Abuse.
Mas, segundo o professor Mitch Earleywine, da State University of New York, não há estudos que comprovem que a maior potencialidade da maconha possa aumentar o vício. Ele afirma que os usuários da droga geralmente ajustam o nível de substância inalada em razão dessas concentrações. "Uma Cannabis mais forte leva a menos fumaça inalada", afirma.
Leia mais
- Para juízes argentinos, plantar maconha na varanda não é crime
- Bush destaca "progressos" na luta contra vício de jovens em drogas
- Bulas incentivam automedicação, diz estudo
- Tabaco deve matar 1 bilhão de pessoas até 2100, diz OMS
- Abstinência de maconha é semelhante à de cigarro, afirma estudo
- Entenda como funciona o narcotráfico, do varejo na periferia às multinacionais; leia capítulo
Livraria da Folha
- Fernando Gabeira responde a questões sobre a maconha em livro
- Leia biografia do ex-barão da cocaína que inspirou o filme "Meu Nome não é Johnny"
Especial

