Ciência
13/06/2008 - 19h42

"Nunca estivemos tão perto de achar vida", diz pesquisador sobre Marte

FELIPE MAIA
da Folha Online

Após quase três semanas em Marte, o trabalho da sonda Phoenix tem feito com que os pesquisadores fiquem "emocionados". É assim que Nilton Rennó, 48, cientista brasileiro e um dos líderes de pesquisa da missão, descreve o que os técnicos conseguiram fazer até o momento no planeta. "Nunca estivemos tão perto de achar vida em outro lugar, se realmente existir alguma", afirmou o pesquisador à Folha Online, por telefone, de Michigan (EUA).

Segundo ele, isso ocorre em razão de Phoenix estar funcionando perfeitamente e estar supostamente fixada sobre um bloco de gelo, o que facilita a prospecção do solo --não deve ser necessário fazer buracos muito profundos.

Nasa
Braço robótico da Phoenix trabalha no solo de Marte; localização acima de suposto bloco de gelo facilita as análises
Braço robótico da Phoenix trabalha no solo de Marte; localização acima de suposto bloco de gelo facilita as análises no planeta

A Phoenix está em Marte desde o dia 25 de maio com a missão investigar as características da água e outros materiais existentes no pólo norte do planeta --procurando por condições propícias para a vida no planeta, como compostos orgânicos, ou respostas para questões como a mudança climática.

"Não poderia ser melhor. Nosso objetivo era analisar o gelo e descemos justamente sobre uma placa de gelo. Depois, começamos a cavar e logo achamos o que parece ser gelo. A sonda está funcionando como um relógio suíço", afirma o pesquisador.

Ainda não há dados que confirmem com exatidão que esse material é, de fato, água congelada, mas, segundo Rennó, "não pode ser outra coisa".

Calor

A Phoenix deve começar nesta sexta-feira (13) a verificar as amostras recolhidas do solo do planeta, ligando um dos "fornos" do Tega (sigla em inglês para Analisador de Gás Térmico e Expandido), instrumento responsável por fazer essas análises.

A função do Tega é esquentar amostras coletadas pelo braço robótico, transformando os materiais em gases. Com isso, é possível identificar os compostos químicos e analisar sua composição.

Hoje, o forno deve ser ligado a uma temperatura de 35 ºC, suficiente para fazer com que a água se torne vapor, já que, em Marte, a água entra em ebulição a uma temperatura de 5ºC --a Phoenix tem detectado temperaturas de -85ºC a -25ºC na superfície de Marte.

Agora, os pesquisadores querem analisar a quantidade de hidrogênio e deutério (hidrogênio pesado), com o objetivo de medir a quantidade de água existente no planeta.

Análise

Nos próximos dias, a temperatura do forno será aumentada gradualmente, até chegar a quase 1.000 ºC. Com isso, será possível verificar a existência de outras substâncias, incluindo matéria orgânica, no planeta. "Na próxima semana vamos ter muita coisa importante, não só do ponto de vista do material, mas também análises químicas", afirma o brasileiro.

Formado em engenharia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Rennó está nos Estados Unidos desde 1986. Ele foi para o país para fazer doutorado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), na área de ciências atmosféricas.

O engenheiro, que é professor da Universidade de Michigan, trabalha no projeto da Phoenix desde 2000. Atualmente, é líder do grupo de pesquisa atmosférica da missão.

Comentários dos leitores
Leandro Viegas (1) 03/10/2008 11h09
Leandro Viegas (1) 03/10/2008 11h09
André, entendo suas preocupações com relação aos recursos à pesquisa extraplanetária. Vale lembrar, no entanto, que o objetivo dessas missões não é meramente fotografar pedregulhos e nuvens em mundos extra-terrestres. Sabendo-se da origem comum do sistema solar, faz-se um esforço no sentido de compreender os processos naturais pelos quais a Terra poderia passar e as alternativas que poderíamos adotar. Marte, por exemplo, tem dado sinais de que passou por uma violenta mudança climática em escala mundial. Conhecer as razões dessa ocorrência seria de extrema importância para a ciência. sem opinião
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luiz carlos cantovik (6) 30/09/2008 23h09
luiz carlos cantovik (6) 30/09/2008 23h09
Meu caro André
Seu comentário foi muito inteligente e realista, como consultor ambiental, fico intrigado e horrorizado de como deixaremos este planeta para as geraoes futuras, muito bem colocadas suas palavras, parabéns.
2 opiniões
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André Bassora (1) 30/09/2008 17h10
André Bassora (1) 30/09/2008 17h10
Tudo bem, que encontrem água, neve e até marcianos verdes, mas vamos ser REALISTAS!! Nosso mundo é aqui e estamos acabando com nossa água, o aquecimento global está mudando o clima da Terra!! Vamos ocupar esses milhões de dólares e essas inteligências maravilhosas para procurar soluções para desacelerar o aquecimento da Terra. Daqui a 100 anos ou mais, as futuras gerações, o que pensarão de nós?? Seremos vistos como bárbaros que contaminamos as águas que bebemos e que ficarão para nossos filhos enquanto nos "maravilhamos" com a neve de Marte. Quem não assistiu ainda o Documentário de Leonardo de Cáprio, a 11ª Hora, assista!! Estamos na última hora de fazer algo para o nosso planeta. Muitos danos já são irreversíveis, mas algumas catástrofes, quem sabe poderemos evitar. Nós, humanos contemporâneos, temos um compromisso com as futuras gerações que habitarão a Terra, nunca esquecendo que o direito dos Homens viverem na Terra é o mesmo de qualquer ser vivo. Nós não somos os únicos donos da Terra, mas com certeza somos os mais egoístas e destruidores. Me desculpem, são apenas minhas convicções, mas não posso me calar diante delas. 7 opiniões
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