Sonda mostra Sistema Solar "amassado"
RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo
A sondas Voyager-1 e 2, os objetos humanos mais distantes da Terra, acabam de render uma descoberta inesperada: o Sistema Solar não é tão redondo quanto se pensava. Em uma série de estudos publicados hoje sobre as análises conduzidas pela Voyager-2, cientistas mostram que a heliosfera --a zona de influência exclusiva do Sol-- não é bem uma esfera, como sugere seu nome, mas tem uma forma mais oval no sul, como se tivesse sido amassada.
Os trabalhos que comparam os resultados obtidos pelas sondas --a Voyager-1 seguiu para o norte-- estão na edição de hoje da revista "Nature" (www.nature.com). Os estudos são os primeiros publicados depois de as duas terem cruzado o "choque de terminação", zona em que o vento solar --as partículas eletricamente carregadas emitidas pelo Sol-- começa a colidir com o vento interestelar até ser desviado e parar.
Esse fenômeno ocorre muito longe, a mais de cem vezes a distância entre a Terra e o Sol. Literalmente, é onde o vento solar faz a curva.
"O choque é mais perto do Sol no sul do que no norte", explicou à Folha Edward Stone, físico do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) que liderou o principal estudo. "Isso significa que a matéria interestelar ao redor exerce uma pressão maior no sul. Provavelmente isso ocorre porque há um campo magnético interestelar no sul posicionado de modo a causar esse desequilíbrio."
Segundo o cientista, esse campo magnético que distorce a heliosfera é criado pelo próprio plasma interestelar, mas a assimetria não era prevista em teoria. Em média, esse magnetismo corre em harmonia com a galáxia, mas antigas explosões de estrelas podem ter causado uma perturbação local que afeta o Sistema Solar.
Os dados da Voyager-2 também indicam que a fronteira da heliosfera é instável e se movimenta o tempo todo. Em sua viagem rumo ao infinito, a nave cruzou várias vezes o choque de terminação, para dentro e para fora, porque ele se mexe.
A baterias das sondas, lançadas em 1977, devem durar até 2025. Em 2013, a Voyager-1 deve atingir a heliopausa, a área onde o vento solar pára.
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