Ciência
08/09/2008 - 09h40

Apenas 30% dos biscoitos são "zero trans"

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RICARDO WESTIN
da Folha de S.Paulo

Mesmo com as pressões do governo e da sociedade, ainda são encontrados nos supermercados muitos alimentos ricos em gordura trans. Dos biscoitos vendidos no país, por exemplo, apenas 30% são considerados "zero trans", de acordo com a Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação).

No ano passado, representantes das indústrias e dos governos de toda a América se reuniram em Washington, por iniciativa da OMS (Organização Mundial da Saúde), para discutir formas de livrar o continente da gordura trans. Um dos pontos de consenso foi que as medidas voluntárias da indústria não são suficientes. Por isso, os governos devem intervir com "medidas de regulação para proteger de maneira mais rápida e eficaz a saúde da população".

Um ano depois, em junho passado, esse mesmo grupo voltou a se reunir, dessa vez no Rio, e chegou à conclusão de que não se havia avançado muito. O documento final do encontro impôs aos governos que concedam incentivos fiscais aos fabricantes e aos agricultores para que descubram e adotem matérias-primas alternativas.

Tabela nutricional

No Brasil, até agora, a única medida concreta do governo foi a inclusão, em 2006, do item "gordura trans" na tabela nutricional impressa no rótulo dos alimentos. "Isso foi ótimo. Agora temos de perder o hábito de olhar só o preço e a data de validade e ver também a composição dos produtos", diz a médica Maria Cristina Izar, da direção da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O Ministério da Saúde discute com os fabricantes a adoção de prazos para que os supermercados fiquem livres dessa gordura, como ocorre no Canadá e na Dinamarca. O governo espera obter algum compromisso da indústria até o final do ano.

A gordura trans aumenta o LDL (colesterol ruim) e diminui o HDL (colesterol bom) no sangue. Essa combinação causa aterosclerose, um perigoso acúmulo de placas de gordura na parede dos vasos sangüíneos. Isso, em casos extremos, resulta em ataque cardíaco e AVC (acidente vascular cerebral), os males que mais matam no Brasil.

Comentários dos leitores
José Alberto (51) 16/10/2008 15h41
José Alberto (51) 16/10/2008 15h41
Ora foi a propria industria que para ganhar mais dinheiro ,fez a propaganda que oleo era melhor que gordura pois o oleo ela queimava em caldeiras ou jogava-se fora e hoje da a desculpa que é mais caro que gordura trans das quais foi feita como derivado da gordura normal e tb depois enxergaram que com o oleo não daria para fazer o que eles queriam, isso é vender as frituras com um gosto saboroso mas envenenar os produtos e as pessoas, agora eu tenho certeza que gordura trans tem que acabar em 1 ano e não tres pois estão dizendo isso pois os estoques deles ( industria estão lotados) e querem empurrar todo o lote para a população e não levar nenhum prejuizo pela compra e a população que gaste mais pois ate as farmacias pertencem a diversos grupos de exploração. É com isso que vemos a população principalmentwe a dos salgadinhos e frituras obesas mas mesmo assim mal alimentadas. Cade o governo nisso tudo não existe controle, ou não tem força para conter a industria de consumo da trans... 1 opinião
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O Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) e a Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) ressaltam que é consenso no meio científico que o consumo de grandes quantidades de ácidos graxos trans (gordura trans) é prejudicial. Não há mais dúvidas sobre isso. A própria Organização Mundial de Saúde, desde 2003, confirmou a posição. Isso não é o resultado de uma pesquisa em que "os ratos foram entupidos com margarina", mas sim um consenso construído por um comitê de experts que avaliam os dados da literatura científica publicados mundialmente.
É difícil definir o tempo necessário para acabar com a gordura trans dos alimentos industrializados. O Canadá conseguiu porque investiu em pesquisas. No Brasil, as grandes indústrias de alimentos já estão assumindo que seus produtos, que tradicionalmente tinham grandes quantidades de gordura trans como os biscoitos, já estão isentos desta forma de gordura. Se algumas indústrias conseguiram, por que não as demais?
A indústria terá que fazer investimentos e não apenas lucrar. Quem ganhará com isso é o sistema de saúde e a população de um modo geral. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, tem razão.
Conselho Federal de Nutricionistas
Associação Brasileira de Nutrição
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Lucio Lopes (3) 08/09/2008 17h28
Lucio Lopes (3) 08/09/2008 17h28
Independentemente da proibição, as empresas devem ser processadas por quem se julgar prejudicado. Haja vista a infinidade de ações milionárias que as empresas tabagistas amercanas responderam e pagaram.
Devemos observar que as empresas que teimam com a godura trans são empresas que contribuem com a desgraça da população e que muitas podem estar falsificando seus rótulos isentando seus produtos do citado veneno. Neste caso as indenizações deveriam ser bem maiores.
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