Ciência
10/09/2008 - 05h10

Cientistas testam com sucesso máquina que tenta reproduzir o Big Bang

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da Folha Online

Atualizado às 06h48.

Quase 9.000 cientistas se reuniram nesta quarta-feira na fronteira entre a Suíça e a França para realizar o primeiro teste com o LHC (Grande Colisor de Hádrons), a máquina mais poderosa do mundo que tentará reproduzir o Big Bang, a explosão que deu origem ao Universo.

O teste realizado consistiu em atirar o primeiro feixe de prótons em um gigantesco túnel circular de pouco mais de 27 quilômetros de comprimento para observar a colisão das partículas e seus resultados. O equipamento tem como objetivo revolucionar a forma como enxergamos o Universo hoje.

AP/Salvatore Di Nolfi
Cientistas realizam primeiro teste do LHC, supermáquina de colisão de partículas que pretende descobrir segredos do Universo
Cientistas realizam primeiro teste do LHC, supermáquina de colisão de partículas que pretende descobrir segredos do Universo

Colocados no acelerador, os prótons deram uma volta completa no enorme túnel. O êxito do primeiro teste foi muito comemorado pelas dezenas de cientistas presentes na sala de controle do organismo, que aguardavam com expectativa o resultado.

"Tenho certeza de que funcionará", disse o diretor-geral do Cern, Robert Aymar, minutos antes do início do teste, em um ambiente ainda cheio de expectativa.

O diretor do projeto LHC, Lyn Evans, tinha anunciado antes que não era possível saber quanto tempo o feixe demoraria para colidir, o que ocorreu em pouco mais de 50 minutos. Os testes eram feitos em pequenos passos de alguns quilômetros, até que os técnicos aprendessem a lidar com o feixe.

Miniburaco negro

Uma grande apreensão tomou conta dos momentos iniciais antes do primeiro teste, conduzido por Evans. O grande temor por trás das pesquisas com o LHC são as notícias de que o experimento de colisões de hádrons (partículas como prótons e nêutrons) pela máquina poderia criar um "miniburaco negro" que engoliria a Terra.

"É irreal. Isso não faz sentido", disse James Gillies, o porta-voz do Cern (Organização Européia para Pesquisa Nuclear), organização responsável pelo LHC.

Por meio de testes com choques de prótons e nêutrons, os pesquisadores querem saber logo que segredos do Universo serão desvendados pelo aparelho, desde a origem da massa até a estrutura da matéria escura.

Situado sob a fronteira entre Suíça e França, a uma profundidade até 120 metros, o enorme colisor de partículas é custou mais de US$ 10 bilhões. A grade do LHC terá 60 mil computadores.

Em entrevista à imprensa internacional, Gillies afirmou que o mais perigoso incidente que poderia ocorrer com o LHC é o equipamento se quebrar e acabar soterrado sob a Europa. Além disso, ele declarou que no estágio inicial o colisor só funcionará parcialmente, sendo que o potencial máximo do LHC só deverá ser alcançado após um ano.

"Nesta quarta-feira nós começaremos com pouco", disse. "O que nós estamos colocando para funcionar é uma pequena parcela de feixes a baixa intensidade. Isso nos dará experiência para conhecer melhor a máquina."

Somente depois do primeiro teste será possível saber se o maior acelerador de partículas do mundo funciona corretamente, mas os primeiros impactos das partículas não serão produzidos durante alguns meses. Só após esse tempo será iniciada a obtenção de dados.

Construção

A realização do LHC foi algo tão complexo quanto as experiências que devem ser feitas nele. "Primeiro, foi necessário construir a máquina no túnel, algo que começamos a fazer há muitos anos, e depois tivemos de aprender a resfriá-la", explicou o engenheiro espanhol Antonio Vergara Fernández.

Salvatore di Nolfi/Efe
Imã gigantesco é instalado em uma das cavernas do LHC (Grande Colisor de Hádrons), a máquina mais poderosa do mundo
Imã gigantesco é instalado em uma das cavernas do LHC (Grande Colisor de Hádrons), a máquina mais poderosa do mundo

"São quase 28 quilômetros de acelerador que precisaram ser resfriados a -271°C", afirma. "Isso começou a ser feito há quase um ano e meio, depois tivemos de conseguir acender a máquina e ver que todos os sistemas funcionavam, mas sem introduzir nenhuma partícula no acelerador."

Esse processo para verificar se a máquina estava pronta para receber os prótons "durou cerca de dois anos". O passo seguinte consistiu em preparar o feixe de prótons do mecanismo, para que entrassem no acelerador e pudessem colidir com outras partículas no túnel.

Está previsto para que o primeiro feixe de prótons comece a circular no acelerador no começo da manhã desta quarta. O objetivo do primeiro dia de funcionamento do LHC é conseguir que os prótons dêem uma volta em todo o anel gigante.

"No início, não conseguiremos. É um processo muito complexo", disse Vergara. "São 28 quilômetros e haverá defeitos que corrigiremos pelo caminho. Faremos o primeiro disparo, os prótons entrarão, se perderão, mas conseguiremos ver onde e como se perderam, e faremos as remodelações necessárias do controle central para depois voltarmos a tentar."

Com a Folha de S.Paulo e as agências Associated Press e Efe

Comentários dos leitores
José Martins (6) 23/11/2009 18h20
José Martins (6) 23/11/2009 18h20
Pela magnitude desse experimento podemos observar como a natureza humana é realmente extremamente pretensiosa e evidencia não saber o que está fazendo,ao desconsiderar os grandes riscos envolvidos nesse projeto e as suas conseqüências,que ainda estão longe de ser previstas ou imaginadas.
Ainda é grande o desconhecimento humano sobre as consequências dessa deliberada indução de partículas atômicas ou sub-atômicas para que se choquem entre si e vejo, no mínimo, como temeroso um experimento dessa magnitude.
Em vez de tratar de estudar como recuperar o equilíbrio climático perdido do planeta, que está sendo destruído em ritmo acelerado pela ignorância, o egoísmo e a ganância exacerbada dos homens, querem desafiar as leis atômicas e físicas com a realização de experimentos perigosos e com finalidade obscura.
A Terra necessita urgentemente da união de todos os habitantes do planeta para,juntos,tentarmos alcançar soluções rápidas para deter o aquecimento global, que já alcançou uma situação insustentável e, talvez, irreversível.
A perda do foco na busca de soluções para esses problemas graves,que já afetam toda a humanidade, está levando os cientistas,os governantes e a população a esquecerem que vivemos num ecossistema frágil, que depende,mais do que nunca, de toda racionalidade que possamos ter, para tentar impedir a continuidade da degradação ambiental e o desequilíbrio climático global,que já se evidencia de forma dramática em muitos países, vítimas da loucura humana.
sem opinião
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licinia albuquerque (147) 23/11/2009 09h07
licinia albuquerque (147) 23/11/2009 09h07
Só esperemos que esse negócio não se vire contra o próprio homem que o criou. Imaginem o homem criar a máquina mais poderosa do mundo e a máquina representar um erro fatal! sem opinião
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Admiro a ciência o conhecimento adquirido pelo homem ao passar dos séculos, mas lembrando que esse conhecimento só foi possível graças a Misericódia de Deus pois Ele permitiu o homem adquirir todo esse entendimento. Mas infelismente os cientistas não creem nisso pois eles acreditam no que vêem, tenho uma pergunta para estes cientistas será que eles não perceberam como tudo é bem organizado no Universo ou eles acham que tudo é obra do acaso? Se fosse obra do acaso seria possível que a terra completasse sua rotação em si mesmo em 24 horas, ou a distância da lua seria essa 384.405KM pois esta distância fosse maior ou mais proximo da terra não existiria vida porque seria desordenado o ambiente terrestre. Se fosse obra do acaso a terra daria a volta completa ao redor do sol em 365 dias e 6 horas? Se fosse obra do acaso será que o planeta terra seria o 3 planeta do Sistema solar? Ou seja, 150 milhões de quilômetros de distancia do sol, pois se fosse mais perto ou mais longe 1km não haveria vida na terra. Tem muitas outras coisas para questioná-los mas se for questionar vou ficar aqui a eternidade escrevendo... Mas a questão é o seguindo os tais cientistas são sábios mas sua ignorância é do tamanho de sua sabedoria. Assim como muitos não querem aceitar o fato que temos um Deus que criou o céu e a terra e tudo que à no universo e que amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Glória a Jesus Cristo!
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