Nasa completa 50 anos com sonho de voltar à Lua
da Folha Online
A Nasa (agência espacial norte-americana) completa 50 anos de existência nesta quarta-feira (1º) com um dilema em relação à exploração humana no espaço. Sonhando em voltar à Lua em 2020, os norte-americanos convivem com a iminente aposentadoria de sua atual frota de ônibus espaciais e a incerteza sobre o novo programa.
A agência foi fundada em outubro de 1958 em meio à corrida espacial com a então União Soviética, que levava vantagem na disputa até ali. Agora, meio século depois, são os chineses que começam a aparecer como nação a ofuscar o domínio norte-americano no espaço.
| Arquivo/Nasa | ||
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| Astronauta Neil Armstrong (à dir.) durante primeira caminhada na superfície da Lua, em 1969 |
Um dos principais desafios da Nasa agora é o desenvolvimento de uma nova frota de veículos que leve homens ao espaço. Os atuais ônibus espaciais voam desde 1981 e são muito usados na construção da ISS (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês), local estabelecido para pesquisa e para aprender a viver no espaço.
Mas tiveram a imagem arranhada por dois graves acidentes, que deixaram um total de 14 astronautas mortos, e constantes problemas técnicos.
O último acidente, do Columbia, em 2003, fez com que o governo de George W. Bush determinasse em 2004 que novos veículos fossem construídos. A última missão da atual frota está marcada para começar no dia 31 de maio de 2010, com o lançamento da Endeavour.
| NASA |
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| Protótipo da nave Orion, que representa a nova frota de veículos espaciais; equipamento não deve voar antes de 2015 |
Quando os ônibus espaciais forem aposentados, a Nasa vai se concentrar em um novo tipo de veículo, similar às naves Apollo, que fizeram viagens tripuladas bem-sucedidas à Lua, porém muito maior, lançado por meio de foguete. A intenção é que as novas naves Orion cumpram missões na Lua e em Marte.
O problema é que essas não devem fazer vôos antes de 2015. O programa Constellation, que inclui novos veículos de lançamento e naves que pousem na Lua, já começou a sofrer adiamentos em razão de dificuldades técnicas e de orçamento.
Com isso, durante cinco anos os Estados Unidos vão depender de veículos russos, ou até dos chineses, para ir ao espaço. Além disso, o governo parece não querer investir mais dinheiro na Nasa. A mensagem é clara: o novo programa para a Lua tem de ser implantado sem necessidade de aumentos no orçamento anual da agência, programado para US$ 17,6 bilhões em 2009.
"Há muitos problemas que a Nasa tem na meia-idade. Está se exigindo muito dela", afirma Henry Lambright, professor de políticas públicas na Syracuse University. "É irreal esperar que você carregue essa carga do passado, as naves e a estação espacial, enquanto tenta fazer algo novo e sem dinheiro. Não dá para fazer".
John Logsdon, especialista em política espacial no National Air and Space Museum, afirma que a "Nasa sofre aos 50 anos por uma decisão feita quando a agência tinha 12".
Durante a corrida espacial, a Nasa recebeu tratamento especial, ganhando um "cheque em branco". Mas, em 1970, o presidente Richard Nixon determinou que o órgão fosse tratado como todas as outras agências federais. "A Nasa tem estado em uma crise perpétua desde então", afirma Logsdon.
Com Associated Press
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