Ciência
01/10/2008 - 17h54

Nasa completa 50 anos com sonho de voltar à Lua

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da Folha Online

A Nasa (agência espacial norte-americana) completa 50 anos de existência nesta quarta-feira (1º) com um dilema em relação à exploração humana no espaço. Sonhando em voltar à Lua em 2020, os norte-americanos convivem com a iminente aposentadoria de sua atual frota de ônibus espaciais e a incerteza sobre o novo programa.

A agência foi fundada em outubro de 1958 em meio à corrida espacial com a então União Soviética, que levava vantagem na disputa até ali. Agora, meio século depois, são os chineses que começam a aparecer como nação a ofuscar o domínio norte-americano no espaço.

Arquivo/Nasa
Astronauta Neil Armstrong (à esq.) durante primeira caminhada na superfície da Lua, em 1969
Astronauta Neil Armstrong (à dir.) durante primeira caminhada na superfície da Lua, em 1969

Um dos principais desafios da Nasa agora é o desenvolvimento de uma nova frota de veículos que leve homens ao espaço. Os atuais ônibus espaciais voam desde 1981 e são muito usados na construção da ISS (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês), local estabelecido para pesquisa e para aprender a viver no espaço.

Mas tiveram a imagem arranhada por dois graves acidentes, que deixaram um total de 14 astronautas mortos, e constantes problemas técnicos.

O último acidente, do Columbia, em 2003, fez com que o governo de George W. Bush determinasse em 2004 que novos veículos fossem construídos. A última missão da atual frota está marcada para começar no dia 31 de maio de 2010, com o lançamento da Endeavour.

NASA
Protótipo da nave Orion, que representa a nova frota de veículos espaciais; não deve voar antes de 2015
Protótipo da nave Orion, que representa a nova frota de veículos espaciais; equipamento não deve voar antes de 2015

Quando os ônibus espaciais forem aposentados, a Nasa vai se concentrar em um novo tipo de veículo, similar às naves Apollo, que fizeram viagens tripuladas bem-sucedidas à Lua, porém muito maior, lançado por meio de foguete. A intenção é que as novas naves Orion cumpram missões na Lua e em Marte.

O problema é que essas não devem fazer vôos antes de 2015. O programa Constellation, que inclui novos veículos de lançamento e naves que pousem na Lua, já começou a sofrer adiamentos em razão de dificuldades técnicas e de orçamento.

Com isso, durante cinco anos os Estados Unidos vão depender de veículos russos, ou até dos chineses, para ir ao espaço. Além disso, o governo parece não querer investir mais dinheiro na Nasa. A mensagem é clara: o novo programa para a Lua tem de ser implantado sem necessidade de aumentos no orçamento anual da agência, programado para US$ 17,6 bilhões em 2009.

"Há muitos problemas que a Nasa tem na meia-idade. Está se exigindo muito dela", afirma Henry Lambright, professor de políticas públicas na Syracuse University. "É irreal esperar que você carregue essa carga do passado, as naves e a estação espacial, enquanto tenta fazer algo novo e sem dinheiro. Não dá para fazer".

John Logsdon, especialista em política espacial no National Air and Space Museum, afirma que a "Nasa sofre aos 50 anos por uma decisão feita quando a agência tinha 12".

Durante a corrida espacial, a Nasa recebeu tratamento especial, ganhando um "cheque em branco". Mas, em 1970, o presidente Richard Nixon determinou que o órgão fosse tratado como todas as outras agências federais. "A Nasa tem estado em uma crise perpétua desde então", afirma Logsdon.

Com Associated Press

 

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