Japoneses e americanos dominam Nobel de física, química e medicina
da Folha Online
Pesquisadores japoneses e norte-americanos foram os que mais ganharam prêmios Nobel "científicos" (medicina, física e química) neste ano. Cada um destes países recebeu três prêmios. A França teve dois premiados e a Alemanha, um.
Japoneses e norte-americanos foram premiados em química e física, enquanto alemães e franceses dividiram o de medicina. Cada Nobel rende um prêmio de 10 milhões de coroas suecas (R$ 3,1 milhões), que é dividido entre os vencedores. A premiação será feita no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de seu fundador, Alfred Nobel.
Nesta quarta-feira (8), o Comitê Nobel anunciou que o japonês Osamu Shimomura e os norte-americanos Martin Chalfie e Roger Y. Tsien eram os vencedores do Prêmio Nobel de Química, pela descoberta e desenvolvimento da GFP (proteína fluorescente verde, em inglês).
Com o uso da proteína, os cientistas agora conseguem ver processos biológicos que antes eram invisíveis, como o desenvolvimento de células nervosas no cérebro ou como cânceres se espalham pelo corpo.
Matéria
Ontem, japoneses Toshihide Maskawa e Makoto Kobayashi, e o japonês naturalizado norte-americano Yoichiro Nambu foram anunciados como Prêmio Nobel de Física 2008, por suas descobertas no campo da física subatômica.
Nambu ficou com metade do prêmio devido à "descoberta do mecanismo de quebra espontânea de simetria na física subatômica".
Kobayashi e Maskawa compartilham a outra metade do prêmio devido a "sua descoberta da origem da quebra de simetria que serve para prever a existência de ao menos três famílias de quarks (partículas elementares que compõem a matéria do Universo) na natureza".
Em Medicina, os vencedores foram o alemão Harald zur Hausen --que fica com uma metade do valor-- e os franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier, que dividem os outros 50%.
Zur Hausen trabalhou contra os dogmas ao afirmar que o papiloma vírus humano (HPV) causa o câncer do colo de útero, o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres.
Ele descobriu que o HPV poderia existir de uma maneira não ativa em tumores --segundo a sugestão do alemão, o HPV pertencia a um grupo um tanto heterogêneo de vírus, que causa câncer.
Disputa por paternidade
Barré-Sinoussi e Montagnier foram laureados por terem contribuído com a descoberta do vírus de imunodeficiência humana (HIV), que provoca a Aids. O reconhecimento dos franceses exclui o norte-americano Robert Gallo, que também reivindica para si o título de descobridor de Aids --Gallo é acusado de ter 'roubado' os estudos de Montagnier.
Entre 1983 e 1984, Montagnier teria sido o primeiro a isolar o vírus HIV e enviado amostras para Gallo. A partir disso, o norte-americano teria descoberto que aquele vírus era o causador da Aids, a doença desconhecida que alarmava o mundo na primeira metade da década de 80.
"Nós éramos amigos antes da controvérsia e voltamos às boas desde que o problema foi resolvido em 1988. Nós dois sabemos o que cada um fez", afirmou Gallo, em entrevista à Folha Online, no ano passado. "Não há dúvida de que o trabalho de Montagnier sobre o vírus foi publicado antes. Não há dúvida que eu forneci a idéia e a maior parte da tecnologia que ele utilizou", disse o norte-americano.
Nesta semana, o chefe do comitê de Medicina do Nobel, Jan Andersson, disse que a demora de 25 anos em dar o prêmio à descoberta do HIV se deveu em parte às dúvidas sobre o processo. "Não nos baseamos só em publicações. Usamos outras fontes para dissecar quem fez o trabalho", declarou Andersson.
A semana do Prêmio Nobel prossegue com o anúncio do vencedor de literatura nesta quinta-feira (9), o da Paz na sexta-feira (10) e o de Economia na próxima segunda-feira (13).
Com Folha de S.Paulo, Efe e France Presse
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