Cientistas buscam ligação entre toxina de campos de futebol e doença degenerativa
da Efe, em Madri
Uma neurotoxina presente nos gramados dos campos de futebol pode ser a causa da doença degenerativa conhecida como ELA (esclerose lateral amiotrófica), segundo uma nova corrente de pesquisa.
A doença é conhecida nos Estados Unidos como mal de Lou Gehrig, nome de um dos melhores jogadores de beisebol do país, que sofreu de ELA nos anos 1930.
A patologia foi diagnosticada em mais de 40 jogadores na Itália nos últimos anos, proporção muito maior do que na população normal, mas até agora não foi detectado um aumento de casos em outros esportes sem tanto contato com o gramado.
Isso serviu de indício para a abertura de novas indagações em torno da neurotoxina BMAA, produzida por algas azuis ou cianofíceas, presentes em águas paradas, e que se alimentam principalmente de fosfatos como os dos pesticidas, condições que às vezes se formam no gramado bastante regado dos estádios.
De acordo com o diretor da Unidade de ELA do Hospital Carlos 3º em Madri, Jesús Mora, a alta presença das cianofíceas no ambiente e a raridade da doença fazem pensar que, para a ocorrência da doença, também seriam necessários condicionantes genéticos individuais.
As cianofíceas e suas neurotoxinas também estão relacionadas com outras doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson.
Os pacientes com ELA sofrem uma paralisia dos músculos das pernas e dos braços, da boca e da garganta, impossibilitando a fala e a deglutição, e por último, a respiração. Apenas 20% sobrevivem por cinco anos e 5% dos casos são hereditários.
Mora afirma que, embora seja uma doença da idade adulta, a aparição em pessoas jovens é cada vez mais freqüente.
A Unidade da ELA do Hospital Carlos 3º participa atualmente de um teste clínico internacional com um novo remédio chamado talampanel. Participam do estudo 540 pacientes com ELA na Alemanha, Bélgica, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Israel e Itália.
Esse é o estudo atual mais importante da ELA, depois que o departamento dirigido por Mora participou, nos anos 1990, da descoberta do único medicamento que até hoje retarda a rápida progressão da doença.
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