Ciência
05/11/2008 - 14h21

China constrói telescópio óptico mais potente do mundo

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da Efe, em Pequim

A China anunciou nesta quarta-feira (5) a construção do telescópio óptico com maior espectro do mundo, entre os equipamentos que fazem varreduras sistemáticas em campos largos no céu. A expectativa é que o telescópio possa "desentranhar os mistérios do Universo".

O telescópio, cuja construção custou US$ 34,4 milhões, está localizado no alto de uma montanha de 960 metros, em um centro de pesquisa dos Observatórios Astronômicos Nacionais, pertencente à Academia de Ciências da China, a 170 quilômetros ao nordeste de Pequim.

Divulgação
Telescópio Lamost está localizado no alto de uma montanha de 960 metros, perto de Pequim
Telescópio Lamost está localizado no alto de montanha de 960 m, perto de Pequim; equipamento deve superar modelo dos EUA

O Lamost --nome dado ao telescópio-- possui uma abertura efetiva que supera os 4 metros, a maior do mundo dentro de suas características, e 4.000 fibras ópticas, que permitem decifrar a luz das estrelas e transformá-las em um enorme quantidade de dados espectrográficos.

Deste modo, a visão do Lamost pode alcançar o dobro de distância que o americano SDSS, instalado no Novo México (EUA) e considerado o melhor da categoria até agora.

Ao contrário da maior parte desses instrumentos, em que o telescópio faz movimentos para seguir o objeto no céu, o equipamento chinês está sobre uma estrutura fixa e tem dois espelhos móveis e segmentados.

O Lamost tem o objetivo de fazer varreduras sistemáticas do céu e desvendar a estrutura de seus componentes: como as galáxias se distribuem pelo Universo e por que elas estão onde estão. Trata-se de um objetivo diferente de outros potentes telescópios, como os Keck e Gemini.

O diretor fundador do telescópio norte-americano e professor da Universidade de Chicago, Donald York, confirmou que o Lamost pode ter uma maior utilidade que o SDSS, se os astrônomos chineses conseguirem que ele trabalhe em alto rendimento. "O Lamost dispõe de 4.000 fibras por "disparo", 5,5 vezes a mais do que o SDSS", ressaltou York.

"Ainda devemos formar uma idéia clara sobre a estrutura de nossa galáxia", afirmou o professor Chu Yaoquan, membro da equipe de engenheiros envolvida no projeto.

"Analisando um espectro de milhões de estrelas na Via Láctea, poderíamos ter uma oportunidade de conhecer a história da galáxia", acrescentou.

 

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