Carioca cria máquina de multiplicar célula-tronco
EDUARDO GERAQUE
enviado especial da Folha de S.Paulo ao Rio
Quando se trata de tentar curar doenças graves, não basta simplesmente obter uma linhagem de células-tronco embrionárias humanas --feito anunciado por pesquisadores brasileiros no mês passado. Como no futuro, em uma terapia, um paciente terá de receber 1 milhão de células por quilo de peso, criar uma maravilhosa máquina de multiplicação desse material celular nobre é mais do que fundamental.
Às margens da baía da Guanabara, pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) resolveram aceitar o desafio. E os resultados obtidos até agora permitem afirmar que não será por falta de células-tronco embrionárias humanas que as terapias --ou pelo menos os primeiros testes pré-clínicos-- vão naufragar. Bilhões delas poderão ser obtidas pelo método brasileiro.
| Roberto Price/Folha Imagem |
![]() |
| Método criado pelo grupo do biólogo Stevens Rehen usa esferas de açúcar para produzir duas vezes mais material pelo mesmo custo |
Para entrar na sala do biorreator fluminense, que fica na Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia) da UFRJ, todo o cuidado é pouco. O repórter teve de usar touca, luvas e máscara, além de vestir um avental e cobrir os sempre sujos sapatos.
O perigo que existe não é para as pessoas. Dentro da "sala limpa", como os cientistas chamam aquele espaço, mais purificado do que uma sala cirúrgica, o risco é de o material que está lá ser contaminado pelo que vem de fora.
Grosso modo, um biorreator é uma enorme placa de cultura onde um material biológico qualquer é produzido em grande escala. No caso das células-tronco, no biorreator elas recebem tudo de que precisam para se multiplicar: nutrientes, estímulos químicos e um substrato --um meio ao qual aderir.
O biorreator carioca é um gigantesco tubo de ensaio, que mais parece um balde, com capacidade para receber cinco litros de células-tronco embrionárias. Acoplado a ele está um computador, que permite que todos os ajustes ao equipamento sejam feitos a distância, sem que nenhum cientista precise pôr suas mãozinhas contaminadas sobre as frágeis células.
Mas o pulo do gato científico, como revela o engenheiro químico Paulo André Nóbrega Marinho, é praticamente invisível. Por causa de milhares microesferas de açúcar, o biorreator consegue produzir o dobro de células-tronco embrionárias pelo mesmo preço que o método convencional (que usa pequenos tubinhos de nove centímetros quadrados de área cada um). Cifras exatas ainda são muito difíceis de estimar.
Essas bolinhas, no tubo gigante, fazem aumentar a área disponível para a adesão das células. "Não fomos nós que criamos essas microesferas. Mas essa adaptação para as células-tronco embrionárias humanas só é feita aqui", afirma a química Aline Marie Fernandes.
A dupla de jovens doutorandos é orientada, respectivamente, por Leda Castilho (Coppe) e Stevens Rehen (Departamento de Anatomia).
"Com esses polímeros de açúcar, que são meio amassados, na verdade, existe mais espaço para as células aderirem ao substrato e crescerem", diz Marinho. Nas contas dele, o ganho total de área é expressivo. Em um grama de bolinhas --cada uma tem 0,2 milímetro de espessura-- há uma superfície de 0,3 metro quadrado.
"O que significa que em todo o biorreator, que comporta 15 gramas de microesferas, existe uma área tridimensional para ser conquistada pelas colônias celulares de 4,5 metros quadrados", diz Marinho.
Leia mais
- Brasil usará células-tronco de gordura da barriga em cirurgia cardíaca
- UFRJ usa célula de embrião para curar cobaia paralítica
- Pesquisadora quer pressa em 1º teste clínico com células-tronco de embrião no Brasil
- Para cientista, linhagem nacional de célula-tronco dá independência
- Pesquisador tentará agora criar linhagem usando tecido adulto
- Equipe da USP produz primeira linhagem brasileira de células-tronco embrionárias
- Hospital belga diz ter extraído células-tronco sem danificar embriões
- Célula-tronco trata fraqueza muscular
- Brasil tratará silicose com célula-tronco
- Dupla usa célula-tronco para produzir dente novo
Especial
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
- Confira especial sobre células-tronco na Folha Online
Livraria da Folha



Lendo algumas opiniões abaixo sobre pesquisas com células-tronco não pude dexar de notar como, atualmente, é comum "malhar" a Igreja Católica como se ela fosse responsável por inúmeros males presentes no mundo.
Quanto ao assunto em questão, gostaria de expor, com maiúsculas: A IGREJA CATÓLICA NÃO É, NÃO FOI E NUNCA SERÁ CONTRA A PESQUISA COM CÉLULAS-TRONCO! É CONTRA A PESQUISA COM CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS ( E DEVE SER MESMO! ).
É muito importante que haja limites nas pesquisas científicas pois elas não são mais válidas quando realizadas com agressão à vida ou à dignidade de qualquer ser humano, inclusive daqueles que estão nos primeiros estágios de seu desenvolvimento.
Parabéns, novamente, à equipe da USP. E o meu desejo de que a continuidade na pesquisa com células-tronco adultas traga resultados mais espetaculares ainda.
avalie fechar
Está aí uma comprovação científica do relato Bíblico.
Células troncos podem ser retiradas de adultos e transforma-las em qualquer órgão, osso, cartilagem e tecido.
Parabens aos cientístas da USP !
Tanto a medicina halopata, homeopática e a fitoterápica vem trazendo benifícios à humanidade, mas a mais promissora de todas é a fitorerápica, pois é ortomolecular.
Na flora da amazônia estão escondidos segredos da " fonte da juventude " ou no mínimo a longevidade de uma vida saudável, como era na antiguidade.
avalie fechar
avalie fechar