Saiba mais sobre o tipo de vírus que matou sul-africano no Rio
da Folha Online
O arenavírus, apontado como causador da morte de um engenheiro sul-africano no Rio, é bastante raro no Brasil, mas comum na África, onde é responsável por milhares de casos por ano. Sua ação no corpo pode levar a quadros graves como o da febre hemorrágica.
O vírus, que carrega RNA (acido ribonucleico, em inglês), é transmitido principalmente pela urina de ratos, que são hospedeiros intermediários dessa família de vírus. O homem pode ser infectado, por exemplo, ao entrar em contato com urina e fezes do animal ou com secreções ou sangue de pessoas contaminadas. Na África, são comuns casos de surtos em hospitais.
"Por isso, o principal cuidado agora é com os profissionais que tiveram contato com o paciente", afirma Celso Granato, chefe do laboratório de virologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Segundo ele, a infecção por arenavírus pode gerar desde quadros leves, em que o paciente não apresenta sintomas, até febre hemorrágica, em que a pessoa sofre elevação da temperatura corpórea e sangramento por áreas como poros, rins, intestino. Também podem ocorrer quadros medianos, com sangramento da gengiva.
Alguns países como a Argentina possuem vacinas para prevenir o tipo de arenavírus comum em seu território. No Brasil, os médicos costumam prescrever uma droga chamada ribavirina, usada também para tratar outros tipos de vírus. Para controlar a doença, também é preciso controlar a população de ratos.
Para o especialista, o risco de disseminação do vírus no Brasil é pequeno, devido ao pouco tempo em que o sul-africano passou no Brasil. O período de incubação do vírus --entre a infecção e o aparecimento dos sintomas-- é de sete a 16 dias. "Em três ou quatro dias não houve tempo de o vírus se disseminar, mas é preciso prestar atenção às pessoas que tiveram contato com ele", diz Granato.
O engenheiro chegou ao país na última terça-feira (25) para fazer consultorias em empresas do Rio. Na sexta-feira (28), segundo a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), começou a manifestar os sintomas do vírus no hotel Transamérica, na Barra (zona oeste), onde estava hospedado, e foi hospitalizado. Ele morreu na manhã de terça (2) na casa de saúde São José, no Humaitá (zona sul), por conseqüência de febre hemorrágica.
O arenavírus tem esse nome em razão da aparência que tem no microscópio. A cápsula viral tem pequenos grânulos, parecidos com areia.
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