Rápida capacidade evolutiva explica invulnerabilidade do vírus da Aids
da Efe, em Washington
A rápida evolução do vírus HIV, causador da Aids, é o principal fator de seu caráter letal e dos problemas para combatê-lo, comprovou um estudo publicado nesta quinta-feira (11) pela revista "PLoS Computational Biology".
Segundo a pesquisa, apenas um vírus basta para iniciar a infecção. Após a infecção, em pouco tempo o paciente hospeda milhares de versões do mesmo vírus, todas elas diferentes e em concorrência para infectar as células.
O estudo acrescentou que a rápida e especial evolução do vírus em cada paciente é o que permite ao HIV desenvolver resistência às drogas antivirais. "Em cada paciente se acumula uma enorme diversidade do HIV e essa é a razão pela qual é um vírus tão poderoso", indicou Ha Youn Lee, professor da Universidade de Rochester e autor do estudo.
A pesquisa do HIV realizada pelo grupo liderado por Lee também descobriu que a evolução do vírus não ocorre em um ritmo constante, desacelerando quando diminui o nível das cruciais células imunológicas conhecidas como CD4+T.
Segundo os cientistas, é possível que diante do enfraquecimento do sistema imunológico o vírus não sinta sua "pressão seletiva" e não necessite mutar.
"Em uma pessoa com um forte sistema imunológico, o vírus tem de mudar para sobreviver", afirma Thomas Leitner, professor do Laboratório Nacional dos Álamos e especialista em evolução viral e bacteriana.
"Mesmo uma pessoa que viveu uma década ou mais com o vírus em algum momento sofre um enfraquecimento de seu sistema de defesas. É nesse momento que o vírus evolui. É um processo muito dinâmico", indicou.
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