"Comutador cerebral" faz funções de lembrança e aprendizado acontecerem quase ao mesmo tempo
da Efe
Uma espécie de comutador cerebral ajuda a mudar rapidamente a atividade entre o processo de lembrar e o de aprender, que não podem ser simultâneos --e cuja combinação é necessária para as interações sociais.
Segundo cientistas da Universidade de Amsterdã (Holanda) e da Universidade Duke (EUA), que divulgaram na segunda-feira (12) os resultados de sua pesquisa na revista "Public Library of Science" (PLoS), a lembrança de velhas experiências e a aprendizagem de novas mantêm um constante resistência entre si no cérebro do ser humano.
Ambos os processos cerebrais não podem acontecer ao mesmo tempo --e tentam competir para conseguir obter prioridade.
As interações sociais requerem uma rápida troca entre informações nova e velha: em uma conversa, por exemplo, enquanto uma pessoa escuta a informação que apresenta o outro interlocutor, está recuperando dados para preparar uma resposta adequada.
Os cientistas explicam que o processo de lembrar reprime a ação das regiões cerebrais implicadas na aprendizagem.
No entanto, há uma região na parte frontal esquerda do cérebro que mede esta luta de processos, acelerando a mudança entre a aprendizagem e a memória.
Esta região atua como um comutador no cérebro: ao não poder exercer ao mesmo tempo aprendizagem e memória, sua função consiste em mudar rapidamente do modo "aprender" ao modo "lembrar" --e vice-versa.
A equipe de pesquisadores chegou à conclusão após desenvolver uma ferramenta que obriga aprendizagem e memória a ocorrerem quase simultaneamente, em um breve período de tempo.
Ela consiste em pôr um grupo de jovens a observar uma série de palavras representadas no centro de uma tela, enquanto se media sua respectiva atividade cerebral com uma ressonância magnética.
Quando viam as palavras, eles tentavam lembrar rapidamente se as haviam estudado alguma vez, enquanto no fundo da tela apareciam imagens de cores.
Mais tarde, os jovens foram submetidos a uma prova de memória na qual se perguntou a eles não só pelas palavras, mas pela cor da tela.
A retenção de imagens foi muito mais difícil quando os participantes tiveram que lembrar uma palavra: o scanner revelou que as áreas do cérebro envolvidas na aprendizagem era menos ativada quando os jovens lembravam as palavras.
Os cientistas descobriram que a região da parte frontal do cérebro só se ativava quando aprendizagem e lembrança ocorriam com sucesso.
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