Ciência
30/01/2009 - 08h01

Número de transplantes realizados pelo SUS cresce 9,8%

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ANGELA PINHO
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O número de transplantes pelo SUS no Brasil cresceu 9,8% no ano passado em relação a 2007, mostra balanço do Ministério da Saúde.

O aumento foi atribuído à elevação da quantidade de doadores, a campanhas de incentivo à doação de órgãos e à ampliação, em 5%, dos centros habilitados a realizar os procedimentos na rede pública. O SUS (Sistema Único de Saúde) faz 95% dos transplantes do país.

O procedimento que mais cresceu de 2007 para 2008 foi o de coração (29%), seguido por fígado (14%) e córnea (12%).

Por outro lado, houve 24 transplantes de pâncreas a menos do que em 2007. Segundo o Ministério, o procedimento recebe menos indicações clínicas.

Continuam na fila por um transplante de órgão ou tecido 58.634 pessoas, a maioria (52%) à espera de um rim.

Para Alberto Beltrame, secretário de Atenção à Saúde, o país tem capacidade para realizar mais transplantes, mas o número de doadores ainda é pequeno --está muito distante de países como a Espanha.

O número de doadores por habitante no Brasil era, no ano passado, de 6,2 por milhão de habitantes --em 2007, era de 4,8. Na Espanha, que tem um dos melhores índices do mundo, a relação é de cerca de 35 por milhão de habitantes.

A falta de doadores, porém, não é o único problema. Os centros habilitados a realizar transplantes estão concentrados no Sul e Sudeste, e o secretário admite que não há quantidade suficiente de profissionais capacitados para aumentar o número de forma substancial.

O transplante de pulmão, por exemplo, só pode ser feito em quatro Estados: Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.

Valter Garcia, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, defende a necessidade de haver transplantes de rim e córnea, por exemplo, em todos os Estados.

Segundo Garcia, os dados do Ministério da Saúde são diferentes daqueles que a entidade deve apresentar amanhã, contabilizando informações do sistema de saúde privado.

O levantamento mostrará uma queda no transplante de córnea e revelará o impacto da morte de Eloá Cristina Pimentel, 15, que, após ser morta em outubro pelo ex-namorado, teve os órgãos doados pela família. De acordo com Garcia, o número de transplantes cresceu 50% em São Paulo nos 30 dias posteriores ao caso em relação ao mês anterior. Em alguns Estados, porém, houve queda, creditada à superexposição dos receptores e da família.

 

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