Ciência
12/02/2009 - 09h28

Confira cinco influências de Darwin na tecnologia

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da Folha Online

As influências de Charles Darwin sobre o pensamento científico não se restringem apenas à biologia ou mesmo às ciências sociais. Seu legado também foi inspiração para ferramentas que, até hoje, têm importância no desenvolvimento tecnológico.

Segundo o site Techradar, que fez uma lista para explicar essas referência darwinianas, "cada nova aplicação refuta a ideia de que a evolução não pode ser provada, ou que não pode ser testada; são provas inequívocas da ação da evolução e da continuidade do poder das ideias de Darwin."

Entenda, abaixo, as principais influências de Darwin sobre a tecnologia.

Divulgação
Videogames, robôs e computadores têm ligações com Charles Darwin
Videogames, robôs e computadores têm ligações com Charles Darwin

Algoritmos genéticos

Por volta de 1950, quando computadores já se tornavam rápidos o suficiente para gerar resultados úteis, a evolução da informática inspirou o desenvolvimento de uma nova fórmula de "raciocínio" para as máquinas.

O algoritmo genético trabalha por um viés semelhante ao da seleção natural. Em síntese, um grupo de possíveis soluções é gerado aleatoriamente para o problema apresentado. As soluções mais bem-sucedidas são escolhidas reproduzidas, enquanto aquelas que não se saem bem são separadas e descartadas.

Isso se revelou um ótimo caminho para resolver problemas difíceis ou criar soluções inteiramente originais. As aplicações foram variadas desde inventários de estoques até videogames.

Design de videogames

A influência do cientista britânico nos games está na década de 60: um dos muitos programas de elaboração de jogos levava o nome de Darwin, que consistia em fazer com que programas vitoriosos se autocopiassem na memória vaga.

Reprodução
"Spore", game desenvolvido por Will Wright, em que o usuário pode criar uma civilização
"Spore", game desenvolvido por Will Wright, em que o usuário pode criar uma civilização

Parece pouco, mas ele foi inspiração para, mais tarde, outro tipo de programação mais influente: o "Core War", que possui muitas semelhanças com vírus de computadores, devido à capacidade de se multiplicar. O programa desenvolveu jogos sofisticados com estratégias e contra-estratégias.

Recentemente, as influências de Darwin aparecem em games como o "Spore", que simula estágios da evolução de uma espécie e foi eleito pela revista norte-americana "Time" como uma das melhores invenções de 2008.

Outra influência aparece em técnicas usadas para a geração de mundos virtuais, como no jogo "Creatures". Enquanto "Spore" não tem a precisão científica da teoria da evolução, o "Creatures" é deliberadamente modelado na reprodução biológica.

Robótica

A programação de robôs para o uso em tarefas é frequentemente demorada, suscetível a erros de processo. Quando o autômato passa por mudanças físicas ou atualizações, requer reprogramação.

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Evolução das espécies é uma das premissas para o desenvolvimento de robôs na Inglaterra
Evolução das espécies é uma das premissas para a criação de androides na Inglaterra

Isso exige robôs hábeis para adaptação por desenvolvimento de novos controles. Na Escola de Engenharia da Universidade Robert Gordon, na Inglaterra, as premissas evolutivas são o parâmetro de construção de androides.

"A pesquisa [em robótica] é inspirada pela evolução dos animais, das estruturas mais simples aos organismos mais complexos, durante períodos evolutivos ao longo do tempo. Se você quer desenvolver um robô complexo, por que não usar a mesma rota da biologia?", diz Sethuraman Muthuraman, responsável pela pesquisa.

Engenharia

Segundo o site NewScientist, uma simulação digital da seleção natural, baseada em computadores ligados à internet, testa cada circuito eletrônico para identificar os que estão mais perto de produzir o desempenho desejado.

Tami Chappell/Reuters
Rede de computadores simula seleção natural para melhorar desempenho de circuitos
Rede de computadores simula seleção natural para melhorar atuação de circuitos

Pela internet, os computadores enviam informações sobre os melhores projetos, que são combinados --uma simulação da reprodução sexual-- para produzir uma "população" com capacidade maior de mutação. Assim, o processo de seleção recomeça sobre ela.

Produção em massa e aeroespaço

A fabricante sueca de automóveis Volvo usou um programa de evolução para planejar trabalhos de fabricação complexa, reduzindo o tempo de criação do planejamento de quatro dias a uma semana para apenas um dia. Na Escócia, um programa similar foi usado para administrar o estoque e suprimento de 7 milhões de barris de uísque --um trabalho que, normalmente, envolve cinco pessoas.

Para completar, um software baseado em algoritmos genéticos auxilia a manutenção do tráfego no sistema de controle aéreo dos EUA.

Comentários dos leitores
ALLAN KIRA (2) 27/11/2009 17h18
ALLAN KIRA (2) 27/11/2009 17h18
Portanto, tão prepotente quanto tentar provar a inexistência de um Deus por escassez - ou mesmo absoluta falta - de elementos científicos, é tentar enfiar goela abaixo dos que acreditam na Teoria de Darwin e na ciência VERDADEIRA, de que tal teoria é manca, que carece de base fortalecida ou nada tem a ver com o Universo descrito na Bíblia. Acordem! É claro que nada tem a ver com a Bíblia, nem procura traçar paralelos com ela.
Se não será Darwin, nem todos os gênios antes e depois deles, que os convencerão de que há uma explicação lógica e padrões estabelecidos para o Universo, muito menos serão vocês que nos convencerão de que Darwin estava louco, e de que sua teoria é um embuste.
Acreditem no que quiserem, e deixem os que acreditam na ciência tentar desvendar o que há pra ser desvendado.
Se os senhores se contentam com a explicação do Velho Testamento, ótimo! Isso os completa? Ótimo novamente!
O Velho Testamento, tampouco o Novo, estão miseramente próximos de explicar o que ocorre na natureza para mim. Têm lá seu valor cultural, mas científico?
Essa desavença, creio eu, deveria ter sido enterrada com Darwin.
Deus é Deus, Darwin é Darwin, todos somos ínfimos, diante de qualquer um dos dois, mas prefiro, ainda que eventualmente eu queime num lago de enxofre, acreditar no segundo. Certamente, ele não exigiu ou desejou que seus críticos e detratores fossem condenados ao sofrimento eterno.
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ALLAN KIRA (2) 27/11/2009 16h58
ALLAN KIRA (2) 27/11/2009 16h58
Creio não pertencer a Darwin, muito menos a nós, o direito e a capacidade de explicar a existência ou não de Deus.
Não acredito nele, mas não sou categórico em afirmar que não existe. Acho que é muita arrogância.
Quanto aos que acreditam, vocês não podem, e nem devem, colocar a Teoria Evolucionista como a tentativa de provar a inexistência de Deus. Ela procura explicar os mecanismo e padrões das espécies, de como evoluíram, porque algumas pereceram e outras vingaram, e não se foi Deus quem criou o Universo, se a vida tem um significado, ou se somos apenas uma coincidência cósmica.
A vocês religiosos fervorosos, indignados que um sujeito do século XIX tenha tentado trazer um pouco de luz à nossa vida, e explicações científicas para algumas coisas da natureza, talvez devessem ler o livro de Darwin, pois posso garantir, com algum grau de certeza, que a obra nã foi nem sequer folheada por muitos de seus críticos.
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Jose Teixeira (21) 20/11/2009 23h01
Jose Teixeira (21) 20/11/2009 23h01
Sr. Cláudio Ângelo, não entendi bem seu posicionamento diante de um assunto tão sério como esse, pelo menos para mim! Fiquei sem saber se o Sr. admira ou execra o grande cientista Dawkins. Seus argumentos em defesa da "Evolução" são lógicos demais para se lançar dúvidas a respeito. Ainda que ele use de toda a sua perspicácia, conhecimento científico e didática excelentes para expor qualquer assunto a que se proponha. Em seu livro "Deus, um delírio" ele lança um desafio, que aos mais desavisados, pode parecer uma pretensão inatingível, embora ele mesmo tenha colocado a idéia nesses termos, de que após a leitura isenta dessa obra prima, ele duvida que uma mente esclarecida não se renda aos argumentos apresentados e deixe de crer na "teoria criacionista". Não há engodo algum! Como dizia um dos expoentes do protetantismo: "A razão é inimiga da fé"! A fé se desvanece diante da razão, pelo simples motivo de que ela não se sustenta a não ser no sentido puramente subjetivo da interpretação individual, o que não constitui evidência de nada. A qualquer cientista ateu que fossem apresentadas evidências da inequívoca existência de Deus, imediatamente se renderiam e confessariam a sua posição errada. Do contrário, a qualquer crente que fossem apresentadas evidências irrefutáveis da não existência de Deus, diriam: não importa, continuo acreditando que ele existe! De fato, é isso que se observa. E isso deixa de ser interessante sobre qualquer ponto de vista! 1 opinião
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