Estudo aponta que 32% dos britânicos são favoráveis ao criacionismo
No aniversário de 200 anos de nascimento de Charles Darwin, o cientista que formulou a mais revolucionária explicação sobre os seres vivos, um estudo publicado no Reino Unido revela que seus próprios compatriotas ainda desconfiam dele.
Segundo a pesquisa "Rescuing Darwin" [Resgatando Darwin], que veio a público na última semana, mais da metade dos britânicos acredita no design inteligente, em detrimento da teoria da evolução. Esta determina que animais, plantas e seres humanos mudam para adaptar-se às condições do ambiente ao longo dos tempos, por meio da seleção natural.
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Realizada pelo Theos, um "think tank" dedicado a temas religiosos, e o Instituto Faraday, de Cambridge, o estudo aponta que aqueles que defendem ou simpatizam com a ideia de criacionismo da Terra Jovem somam 32%.
E o design inteligente conta com 51% de adesão --os números não são excludentes, pois referem-se a um questionário múltiplo.
A interpretação desse resultado é considerada difícil pelos próprios organizadores. Nick Spencer, diretor do Theos, considera que há uma imensa "área cinzenta" devido ao fato de as pessoas não conhecerem claramente os significados da teoria darwiniana, do criacionismo e do design inteligente.
"A urgente necessidade de educação e informação é o que mais impressiona. A confusão e o ceticismo, causados pelo modo como ciência e religião são ensinados, levam as pessoas a dar respostas até mesmo contraditórias de um ponto de vista científico", disse à Folha.
Dez mil anos atrás
Feitas as ressalvas, acadêmicos como Denis Alexander, diretor do Instituto Faraday e responsável pela interpretação da pesquisa, consideram que ela traz resultados preocupantes. Principalmente por conta da grande quantidade de pessoas que acham que a Terra foi criada nos últimos 10 mil anos.
"É desconcertante que, em 2009, existam pessoas que pensam que o mundo tem essa idade por conta de uma leitura da Bíblia, quando toda evidência científica demonstra que isso é errado", diz Denis Alexander, diretor do Instituto Faraday, responsável pela interpretação desses números, à Folha.
Alexander diz que não pode comprovar de um ponto de vista estatístico, mas tem a impressão de que o criacionismo esteja crescendo consideravelmente no Reino Unido nos últimos anos. E aponta três causas que considera principais.
As duas primeiras seriam o aumento da população de imigrantes islâmicos e a proliferação de igrejas pentecostais de africanos ou afrodescendentes, grupos em que o criacionismo é muito popular.
A terceira seria o "desfavor que vêm fazendo à ciência os ditos intelectuais neodarwinistas". Entre eles, o principal culpado seria o também britânico Richard Dawkins, autor de "O Gene Egoísta" e "Deus, um Delírio" (Companhia das Letras), que, por meio das ideias de Darwin, defende o ateísmo.
"Não é sua intenção, mas ao fazer campanha pró-evolução, Dawkins tem estimulado a ascensão do criacionismo neste país. Sua mensagem, repetida de modo simplório em igrejas, mesquitas e sinagogas, é a de que "a evolução significa ateísmo", ao que os fiéis são levados a responder: "Bem, não aceitamos o ateísmo, então também não apoiamos a evolução".
Segundo ele, ao lutar contra algo com violência, Dawkins estaria estimulando um comportamento extremo oposto. "Um fenômeno social muito comum na história das ideias", conclui Alexander.
James Williams, estudioso de ciência da educação da Universidade de Sussex, concorda. "Dawkins é um intelectual a ser respeitado, mas exagera em suas interpretações. Para ele, se você acredita em algo, isso é suficiente para que você seja considerado um idiota. Elimina a ideia de que evolução e crença em Deus possam andar juntas. Tenta provar que Deus não existe, mas não pode fazer isso. Desse modo, provoca uma reação violenta, que acaba dando força ao criacionismo", diz o pesquisador.
Para o acadêmico, Darwin, se estivesse vivo, não lutaria ao lado de Dawkins, para desapontamento deste. "Ele o respeitaria pela importância de seus estudos, mas só isso, não concordaria com a violência que está imprimindo ao debate."
Alexander também reforça essa ideia. "Darwin era um cavalheiro educado, ao estilo vitoriano. Deveria ser visto por nós como um exemplo de alguém que teve bom relacionamento com acadêmicos de diversas correntes e credos. É algo que está muito em falta nos dias de hoje. Estou seguro de que ficaria chocado com a brutalidade desse debate teológico. Além disso, esse nem era o centro de seus estudos."
O caso brasileiro
O professor de sociologia da USP Antônio Flávio Pierucci acha que no Brasil os resultados de uma pesquisa como essa provavelmente não seriam os mesmos, devido à pouca força que os criacionistas têm aqui.
"Não dá para ter uma ideia clara, mas vejo uma tendência de simpatia pelo evolucionismo, por exemplo, entre adeptos do espiritismo, que é uma religião muito popular no Brasil. Mas é só uma sensação."
Pierucci considera assustador o fato de que tantos britânicos acreditem no criacionismo. "As pessoas em geral não entendem como funciona a ciência até que ela tenha um efeito prático em suas vidas. Uma evidência científica funciona apenas para os cientistas", diz.
Ele concorda com a ideia de que educação e informação permitiriam um melhor entendimento do significado de assuntos como a teoria da evolução, o criacionismo e o design inteligente.
"Ao ouvir a expressão 'design inteligente', a tendência é a pessoa pensar que há por trás um 'designer inteligente', a personalizar o processo; é assim que funciona o raciocínio popular desinformado", diz.
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Se não será Darwin, nem todos os gênios antes e depois deles, que os convencerão de que há uma explicação lógica e padrões estabelecidos para o Universo, muito menos serão vocês que nos convencerão de que Darwin estava louco, e de que sua teoria é um embuste.
Acreditem no que quiserem, e deixem os que acreditam na ciência tentar desvendar o que há pra ser desvendado.
Se os senhores se contentam com a explicação do Velho Testamento, ótimo! Isso os completa? Ótimo novamente!
O Velho Testamento, tampouco o Novo, estão miseramente próximos de explicar o que ocorre na natureza para mim. Têm lá seu valor cultural, mas científico?
Essa desavença, creio eu, deveria ter sido enterrada com Darwin.
Deus é Deus, Darwin é Darwin, todos somos ínfimos, diante de qualquer um dos dois, mas prefiro, ainda que eventualmente eu queime num lago de enxofre, acreditar no segundo. Certamente, ele não exigiu ou desejou que seus críticos e detratores fossem condenados ao sofrimento eterno.
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Não acredito nele, mas não sou categórico em afirmar que não existe. Acho que é muita arrogância.
Quanto aos que acreditam, vocês não podem, e nem devem, colocar a Teoria Evolucionista como a tentativa de provar a inexistência de Deus. Ela procura explicar os mecanismo e padrões das espécies, de como evoluíram, porque algumas pereceram e outras vingaram, e não se foi Deus quem criou o Universo, se a vida tem um significado, ou se somos apenas uma coincidência cósmica.
A vocês religiosos fervorosos, indignados que um sujeito do século XIX tenha tentado trazer um pouco de luz à nossa vida, e explicações científicas para algumas coisas da natureza, talvez devessem ler o livro de Darwin, pois posso garantir, com algum grau de certeza, que a obra nã foi nem sequer folheada por muitos de seus críticos.
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