Ciência
12/02/2009 - 09h24

Paixão de Darwin colocou viagem do Beagle em risco

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FELIPE MAIA
da Folha Online

A viagem de Charles Darwin (1809-1882) a bordo do HMS Beagle, fundamental para o posterior desenvolvimento da teoria do pesquisador sobre a evolução das espécies, foi colocada em risco por uma mulher, Fanny Owen. A informação é do pesquisador Nélio Bizzo, professor da Faculdade de Educação da USP, que pesquisou a biblioteca pessoal de Darwin.

Owen, que residia perto de Shrewsbury, onde Darwin morava, era amiga de infância das irmãs do cientista. Eles chegaram a "namorar" quando ele estudava na Universidade Cambridge, mas o romance acabou esfriando e ela ficou noiva de outro. Meses antes da viagem, ela rompeu o noivado e tentou encontrar Darwin nas docas em que estava o Beagle, mas procurou pelo navio errado.

Em cartas trocadas antes do início da expedição, os dois relatam a decepção pelo desencontro e ela promete esperá-lo --na visão de Bizzo, as mensagens tinham o tom "de quem gostaria de aceitar uma proposta de casamento".

Reprodução
Depois de decepção amorosa, Darwin se casou com a prima Emma Wedgwood
Depois de decepção amorosa, Darwin se casou com a prima Emma Wedgwood; casal teve dez filhos

Darwin até tentou levar na missão o irmão da pretendente, Francis, com o suposto objetivo de manter a relação viva, mas o pedido foi negado pelo capitão do navio.

"Não sei se Darwin iria desistir da viagem, mas provavelmente ela o convenceria a voltar mais cedo. Este era o 'plano B', já acertado com o capitão [Robert] FitzRoy: Darwin poderia desembarcar em qualquer porto. Provavelmente, ele não iria além de Montevidéu, especialmente se o jovem Francis fosse com ele", afirma Bizzo. "Não creio que Darwin ficaria quase cinco anos longe de casa se ela o estivesse esperando para casar."

Entretanto, ao chegar ao Rio de Janeiro, no início de 1832, o pesquisador recebeu uma carta da irmã informando que Owen iria se casar com outro. "Foi uma grande decepção amorosa", diz o professor da USP.

Em 1839, quase três anos após o fim da missão do Beagle, o criador da teoria da evolução acabou se casando com Emma Wedgwood, uma prima. Eles tiveram dez filhos --três morreram precocemente, ainda na infância.

Do ponto de vista financeiro, Darwin não passou por grandes apuros. Além de ter nascido em uma família de burgueses, o pesquisador recebia cerca de 400 libras esterlinas por ano da família da mulher, como subsídio --o valor, na época, era equivalente ao dobro do salário de um professor de Cambridge. Ele também ganhava uma "mesada" do pai e depois passou a ganhar dinheiro com a venda de livros e propriedades rurais.

Apesar de se interessar desde a infância por ciências naturais, Darwin cursou medicina e estudou para ser clérigo da Igreja Anglicana. Entretanto, quando estava em Cambridge, começou a assistir às aulas do botânico John Henslow, que foi uma figura decisiva para o cientista. Foi por meio do professor que ele recebeu o convite do capitão FitzRoy para integrar a missão do Beagle.

Darwin morreu no dia 19 de abril de 1882, em razão de um ataque cardíaco, aos 73 anos. Ele foi enterrado na Abadia de Westminster, em Londres.

Comentários dos leitores
ALLAN KIRA (2) 27/11/2009 17h18
ALLAN KIRA (2) 27/11/2009 17h18
Portanto, tão prepotente quanto tentar provar a inexistência de um Deus por escassez - ou mesmo absoluta falta - de elementos científicos, é tentar enfiar goela abaixo dos que acreditam na Teoria de Darwin e na ciência VERDADEIRA, de que tal teoria é manca, que carece de base fortalecida ou nada tem a ver com o Universo descrito na Bíblia. Acordem! É claro que nada tem a ver com a Bíblia, nem procura traçar paralelos com ela.
Se não será Darwin, nem todos os gênios antes e depois deles, que os convencerão de que há uma explicação lógica e padrões estabelecidos para o Universo, muito menos serão vocês que nos convencerão de que Darwin estava louco, e de que sua teoria é um embuste.
Acreditem no que quiserem, e deixem os que acreditam na ciência tentar desvendar o que há pra ser desvendado.
Se os senhores se contentam com a explicação do Velho Testamento, ótimo! Isso os completa? Ótimo novamente!
O Velho Testamento, tampouco o Novo, estão miseramente próximos de explicar o que ocorre na natureza para mim. Têm lá seu valor cultural, mas científico?
Essa desavença, creio eu, deveria ter sido enterrada com Darwin.
Deus é Deus, Darwin é Darwin, todos somos ínfimos, diante de qualquer um dos dois, mas prefiro, ainda que eventualmente eu queime num lago de enxofre, acreditar no segundo. Certamente, ele não exigiu ou desejou que seus críticos e detratores fossem condenados ao sofrimento eterno.
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ALLAN KIRA (2) 27/11/2009 16h58
ALLAN KIRA (2) 27/11/2009 16h58
Creio não pertencer a Darwin, muito menos a nós, o direito e a capacidade de explicar a existência ou não de Deus.
Não acredito nele, mas não sou categórico em afirmar que não existe. Acho que é muita arrogância.
Quanto aos que acreditam, vocês não podem, e nem devem, colocar a Teoria Evolucionista como a tentativa de provar a inexistência de Deus. Ela procura explicar os mecanismo e padrões das espécies, de como evoluíram, porque algumas pereceram e outras vingaram, e não se foi Deus quem criou o Universo, se a vida tem um significado, ou se somos apenas uma coincidência cósmica.
A vocês religiosos fervorosos, indignados que um sujeito do século XIX tenha tentado trazer um pouco de luz à nossa vida, e explicações científicas para algumas coisas da natureza, talvez devessem ler o livro de Darwin, pois posso garantir, com algum grau de certeza, que a obra nã foi nem sequer folheada por muitos de seus críticos.
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Jose Teixeira (21) 20/11/2009 23h01
Jose Teixeira (21) 20/11/2009 23h01
Sr. Cláudio Ângelo, não entendi bem seu posicionamento diante de um assunto tão sério como esse, pelo menos para mim! Fiquei sem saber se o Sr. admira ou execra o grande cientista Dawkins. Seus argumentos em defesa da "Evolução" são lógicos demais para se lançar dúvidas a respeito. Ainda que ele use de toda a sua perspicácia, conhecimento científico e didática excelentes para expor qualquer assunto a que se proponha. Em seu livro "Deus, um delírio" ele lança um desafio, que aos mais desavisados, pode parecer uma pretensão inatingível, embora ele mesmo tenha colocado a idéia nesses termos, de que após a leitura isenta dessa obra prima, ele duvida que uma mente esclarecida não se renda aos argumentos apresentados e deixe de crer na "teoria criacionista". Não há engodo algum! Como dizia um dos expoentes do protetantismo: "A razão é inimiga da fé"! A fé se desvanece diante da razão, pelo simples motivo de que ela não se sustenta a não ser no sentido puramente subjetivo da interpretação individual, o que não constitui evidência de nada. A qualquer cientista ateu que fossem apresentadas evidências da inequívoca existência de Deus, imediatamente se renderiam e confessariam a sua posição errada. Do contrário, a qualquer crente que fossem apresentadas evidências irrefutáveis da não existência de Deus, diriam: não importa, continuo acreditando que ele existe! De fato, é isso que se observa. E isso deixa de ser interessante sobre qualquer ponto de vista! 1 opinião
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