Mesmo com mutação do vírus da gripe detectada em SP, eficácia de vacina persiste
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
A vacina contra a gripe suína anunciada pela Novartis na última sexta-feira (12) não perderá sua eficácia com a mutação detectada após isolamento e sequenciamento do vírus pelo Instituto Adolfo Lutz, anunciado nesta terça-feira.
Hoje o Instituto Adolfo Lutz, ligado ao governo do Estado de São Paulo, anunciou que conseguiu isolar e sequenciar o vírus da gripe suína --como é chamada a gripe A (H1N1)-- e detectou uma nova "estirpe" da doença no Brasil. Os técnicos brasileiros perceberam um padrão diferente para o vírus daquele que foi registrado pelo CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos) com base em amostras retiradas de pacientes da Califórnia.
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"A proteína da matriz é inteiramente compatível e não existindo grandes alterações a vacina possivelmente poderá ser eficaz", afirmou Cecília Simões, responsável pelo sequenciamento genético do vírus.
Apenas se houvesse mudança na matriz --o que não foi detectado-- é que a haveria alteração na capacidade de produção dos anticorpos, o que iria vir a reduzir a eficácia da vacina em desenvolvimento.
Trabalho
Segundo pesquisadores do Adolfo Lutz, foi detectado, por intermédio de sequenciamento genético, que houve mutação na proteína hemaglutinina (o "H" da sigla), responsável pela capacidade de infecção do vírus. A variação revelada passa a ser chamada de Influenza A/São Paulo/H1N1.
Detectar a mutação é um trabalho importante em termos epidemiológicos, pois permite comparar como o vírus se comporta após a infecção. Em todo o Brasil já foram confirmados pelo Ministério da Saúde 74 casos da doença. Todos eles deverão passar pelo mesmo processo do vírus de um paciente de São Paulo que teve material recolhido em abril, após confirmação da doença.
O estudo revelou as 1.701 bases e a análise comparativa indicou a presença de mudanças e alteração de aminoácidos --os "tijolos" que formam as proteínas. A proteína neuraminidase ("N") não se alterou.
O comparativo entre o que foi isolado em São Paulo e o vírus da Califórnia foi possível após o vírus da gripe suína ser fotografado pelo setor de microscopia eletrônica do instituto --a imagem do vírus foi ampliada em 200 mil vezes, por meio de um equipamento que possui a capacidade de aumentar esse tipo de imagem em até 1 milhão de vezes.
Segundo Clélia Aranda, coordenadora de Controle de Doenças do Instituto Adolfo Lutz, foram avaliadas as estruturas do vírus chamadas constantes --onde não estão previstas mudanças-- e as que podem sofrer variação.
A mutação na proteína hemaglutinina já era esperada. "As mutações são frequentes e é a partir delas que se podem fazer as modificações das vacinas", afirmou.
Ainda é cedo, entretanto, para avaliar o que a mutação venha a significar em termos de virulência --o quanto ela pode ser deletéria-- e de capacidade de infecção.
Vacina
Os técnicos do Adolfo Lutz afirmam que o isolamento do vírus da gripe suína irá contribuir para a produção da vacina e detectar a resposta aos medicamentos antivirais
A produção de uma vacina nacional pelo Instituto Butantã --que já realiza testes para gripe sazonal e deverá iniciar a produção em 2010-- depende de análise prévia do CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos) e outros OMS (Organização Mundial da Saúde).
O trabalho dos pesquisadores do Adolfo Lutz é inédito no Brasil desde o surgimento dos primeiros relatos da gripe suína. Entretanto, ainda não se sabe se ele é raro no mundo ou não, uma vez que pesquisas em banco de dados revelarem existir cerca de 2.000 estirpes diferentes.
Como ainda não houve um estudo específico para saber quais delas fizeram um mapeamento tão completo quanto o que levou a detectar o Influenza A/São Paulo/H1N1, ainda é cedo para relativizar sua importância.
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Especial


O Ministério da Saúde está atento e continua realizando todas as ações relacionadas à Influenza A (H1N1). Cabe ressaltar que o número de casos graves da doença e de óbitos vem diminuindo. Estamos sempre à disposição.
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Apesar de ainda serem notificados novos casos graves de Influenza A (H1N1), esse número teve uma grande redução. No Brasil, em comparação com a semana epidemiológica com o maior número de notificações, a semana epidemiológica 44 (até 07 de novembro), apresentou redução de 97%. Esse decréscimo também ocorreu nas regiões do país. Na região Sul, por exemplo, a redução foi de 98%. Continuamos à disposição.
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A vacina contra a Influenza A (H1N1) estará disponível para todas as pessoas que fizerem parte dos grupos que deverão ser imunizados. Estamos à disposição.
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