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09/10/2009 - 10h32

Cientistas mostram chip que monitora milhares de genes ao mesmo tempo

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da Efe, em Madri

Uma equipe de pesquisadores espanhóis desenvolveu um chip capaz de monitorar a atividade de milhares de genes e enzimas simultaneamente --um dispositivo que servirá para o diagnóstico e o tratamento de doenças como o câncer.

A partir da síntese de 2,5 mil moléculas, o dispositivo fornece uma visão em tempo real do metabolismo de qualquer célula ou organismo vivo e consegue estabelecer o atlas metabólico e diferenciar por meio da impressão digital metabólica cada amostra analisada.

Publicada na revista "Science", a pesquisa elaborada ao longo de cinco anos foi coordenada pelo cientista do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) Manuel Ferrer, em colaboração com cientistas do Centro Nacional de Biotecnologia e a Universidade de Oviedo, na Espanha, além dos laboratórios da Alemanha, Itália e Reino Unido.

O metabolismo é o conjunto de milhares de reações bioquímicas interrelacionadas em processos físico-químicos que ocorrem em uma célula ou conjunto de células.

Estes complexos processos interrelacionados são a base da vida nas moléculas e permitem as diversas atividades das células: crescer, reproduzir-se e manter suas estruturas.

A comunidade científica estima que, quando alguma destas funções é danificada, ocorram alterações transitórias ou permanentes que afetam o metabolismo celular, o que pode originar doenças como o câncer.

Um organismo contém entre 1 mil e 5 mil reações bioquímicas.

Por isso, segundo os autores do estudo, avaliar a presença ou ausência delas resulta quase impossível mediante os métodos de análise convencionais usados até o momento.

O novo chip oferece uma "oportunidade sem precedentes, já que pode monitorar a atividade de milhares de genes e enzimas simultaneamente", afirmam seus criadores.

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"É possível diferenciar células normais das que foram danificadas", apontou Ferrer.

Para desenvolver o dispositivo, os pesquisadores sintetizaram 2,5 mil moléculas, que constituem os substratos iniciais, finais e intermédios da grande maioria das reações biológicas conhecidas em organismos vivos.

Depois, depositaram as moléculas em um chip e acrescentaram sobre elas um extrato de proteínas com o qual se pode estudar a presença ou ausência de reações biológicas a partir da emissão de uma sonda fluorescente.

Segundo Ferrer, "ainda é cedo para prever o potencial do chip, mas, como pode analisar qualquer tipo de célula humana sem a necessidade de conhecer seu genoma, será de grande ajuda para futuros diagnósticos e no tratamento de doenças".

O estudo abre também novas expectativas na identificação de enzimas terapêuticas para o tratamento de bactérias patógenas causadoras de doenças infecciosas, assim como para identificar alterações metabólicas causadoras, por exemplo, do câncer.

 

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